Negócio das bets ficou mais arriscado, diz CEO.
Executivo investe
contra manipulação e diz que não quer dinheiro de Bolsa Família, nem mais taxas
A chegada das bets gerou resistência de bancos,
varejistas e até concessionárias de água e energia, que passaram a competir
pelos ganhos mensais dos brasileiros.
No entanto, para Alexandre Fonseca, CEO
da Superbet, uma da principais do ramo, são elas
que hoje enfrentam ameaças no negócio.
Com menos de um ano de atuação regulamentada, as empresas gastarão
muito mais com o possível aumento da taxa de apostas, de 12%
para 18%, e soluções para barrar criminosos, que estimulam a manipulação de
resultados de partidas esportivas, carro-chefe das apostas.
O Banco Central, no ano passado, divulgou números sobre
o uso do Bolsa Família [em apostas], depois foi desmentido [com um estudo do
setor feito pela LCA].
Não temos interesse em receber recursos de qualquer tipo
de benefício [social]. A gente clama pela restrição do uso do benefício e não
do beneficiário.
Como assim?
Quando se restringe o beneficiário, seja ele de Bolsa Família, BPC ou auxílio-desemprego, de apostar,
cria-se um cidadão de segunda categoria.
Existe uma pauta hoje no Senado pela
aprovação de cassinos.
[Se for aprovada] Será preciso apresentar um comprovante
de que não é beneficiário para poder entrar nesses estabelecimentos? Diria que
é uma medida de segregação social.
O que sugere, então?
Parte do sistema bancário brasileiro, das
autoridades e até do modelo como são pagos os benefícios hoje de conseguirem
segregar o benefício.
Tenho medo que, em algum momento, a gente olhe para o
passado, lá no futuro, e enxergue isso como uma forma de apartheid financeiro
da população brasileira.
Daqui a pouco, será preciso ter uma carteira de não
beneficiário para consumir álcool. É um caminho perigoso.
FOLHA DE SÃO PAULO