Novas estratégias e
plataformas de comunicação e relacionamento fazem parte dos planos da alta
direção das Entidades Fechadas de Previdência Complementar este ano. Os
dirigentes anunciam seu envolvimento crescente com um cardápio de ações
voltadas a integrar essas áreas e ampliar a compreensão de participantes e
patrocinadores a respeito dos planos de benefícios.
Um olhar estratégico e
integrado entre as áreas de comunicação, relacionamento e educação é a receita
para aperfeiçoar e potencializar as ações junto aos diversos públicos. O
alvo é claro: esses esforços podem preservar e melhorar a percepção da
sociedade em relação aos benefícios trazidos pelo sistema.
“Os debates mostram que
essa é uma carência importante no sistema e que há uma demanda expressiva pela
participação em fóruns que tratem do tema”, avisa a vice-presidente da
UniAbrapp e diretora presidente e de Seguridade da Fundação Ecos, Jussara
Carvalho Salustino. “Os dirigentes estão conscientes de que essas são ferramentas
estratégicas de gestão, essenciais para o fomento”, reforça a diretora de
Relacionamento Institucional da SP-Prevcom e coordenadora da Comissão Técnica
Nacional de Comunicação e Marketing da Abrapp, Patrícia Costa.
A conscientização
crescente dos dirigentes indica que as ações de comunicação e relacionamento
devem vir de cima para baixo, ou seja, elas precisam partir de uma visão
estratégica para atingir o público de maneira eficiente. “O participante dos
planos de benefícios é o dono dos recursos e o principal “cliente” das
EFPCs, então suas necessidades devem ser o nosso foco, mas por muito tempo
prevaleceu a ideia equivocada de que ele era um cliente cativo”, explica
Jussara.
O ambiente de
discussões em torno da reforma da Previdência tem contribuído de forma inédita
para colocar a previdência complementar em foco e as EFPCs percebem, agora mais
fortemente, um espaço importante a ser aproveitado. A conclusão foi observada
pelos palestrantes durante painel no 2º Encontro Nacional de
Comunicação, Relacionamento e Educação da Previdência Complementar Fechada,
promovido neste mês pela Abrapp no Rio de Janeiro. O evento contou com o
patrocínio da ATENA Tecnologia e Administração de Previdência e Infobase
Interativa e co-patrocínio da MESTRA Informática.
Produtos e vendas - Os dirigentes
enfatizaram também a percepção de que episódios como a própria CPI e todo o
debate sobre as diversas questões de previdência complementar fechada,
incluindo a tendência dos investimentos em cenário de queda dos juros, deram
maior visibilidade ao sistema.
Para o presidente da
Fundação Real Grandeza, Sérgio Wilson Ferraz Fontes, o sistema levou muito a
sério o termo “fechado” e passou bom tempo sem falar com a sociedade. “As
nossas entidades tem perspectiva de longo prazo, ao contrário das entidades
abertas, e tem produtos melhores para a aposentadoria das pessoas, mas não
soubemos vender isso adequadamente e alguns problemas éticos localizados em
poucas entidades acabaram encobrindo o fato de que 99,9% trabalham direito”,
lembra Fontes.
Comunicação e
relacionamento precisam incorporar agora maior impulso de vendas para fazer o
sistema crescer, defende o presidente da FRG. “Temos bons técnicos no sistema,
mas eles acharam que bastava ter um bom produto e não era preciso vender, então
precisamos integrar as áreas técnicas e de comunicação para levar a mensagem
correta à sociedade”.
Lupa- Por conta de todos esses
fatores, fica evidente que é preciso examinar de perto, com uma lupa, todas as
oportunidades para aperfeiçoar a comunicação interna e externa. “A
comunicação é vista como um fator vital de relacionamento com o participante
porque se a EFPC não tiver o feeling do que ele demanda e não souber se
comunicar com transparência, não conseguirá avançar”, ressalta Patrícia Costa.
Algumas entidades já
aproveitam o momento de discussões sobre a reforma da Previdência para realizar
ações educativas e de comunicação com o objetivo de fomento. Entre elas está a
Valia, segundo informou sua diretora de Seguridade, Maria Elizabete Silveria Teixeira.
A entidade, explicou a diretora, tem trabalhado intensamente num programa de
educação bem focado para explorar o debate sobre as mudanças junto ao seu
público.
Integração - É clara a
necessidade de ter as equipes de comunicação e relacionamento trabalhando de
forma integrada, a partir da orientação dos dirigentes. “Esse é um
movimento natural e não significa necessariamente eliminar gerências mas sim
que é preciso trabalhar com um olhar holístico para o conjunto de atividades da
EFPC”, diz Jussara. “Não deve haver distanciamento entre essas áreas”,
reforça Patrícia Costa.
Na SP-Prevcom, a Diretoria
de Relacionamento Institucional concentra as ações de maneira integrada,
abrangendo atendimento a participantes e patrocinadores, comunicação interna,
externa e com a alta direção, além de acompanhar de perto os programas de
educação financeira e previdenciária. “Mas todos falamos a mesma língua, o que
é fundamental se quisermos de fato deixar um legado expressivo para os
participantes e estar preparados para as mudanças que ocorrerão nos próximos
dez anos”, afirma Patrícia.
Ganho de goleada - “A FRG sempre valorizou
a comunicação, em qualquer negócio sensível como o nosso, que lida com a vida,
a saúde e a previdência das pessoas, isso é fundamental”, diz Sérgio Fontes. Há
sete meses em seu mandato à frente da entidade, ele tem reforçado o
investimento nessas áreas para atrair e manter adesões. “Temos uma adesão de
96% no plano CD, ou seja, ainda falta conquistar 4% de adesões num plano que
oferece 100% de matching da patrocinadora e tem ganho de goleada, na comparação
com os produtos abertos, em termos de rentabilidade e taxa de carregamento”.
Uma nova engenharia - Com estratégias
voltadas à retenção de seus 7 mil participantes – e um nível de adesão já de
100% - a Eletros implementa desde 2013 um esforço inovador de comunicação e
relacionamento. “Queremos atuar cada vez mais nos próximos anos como
consultores de previdência para os nossos participantes e não apenas como
“respondedores de perguntas” feitas por eles”, explica o diretor de Benefícios
Previdenciários, Márcio Peres Silvado.
Para isso, a estrutura
busca eficiência crescente, numa visão que procura acompanhar o perfil atual
dos participantes, mais objetivos e diretos em suas demandas. “Temos que nos
adaptar a esse público e às novas tecnologias sem perder a sinergia com os mais
velhos, precisamos agregar coisas realmente importantes para eles e ter
discursos apropriados para cada faixa de pessoas”, diz Silvado. Engenheiro de
formação, ele acredita que a combinação de conceitos práticos de engenharia a
uma visão previdenciária acaba resultando num mix eficiente.
Transparência total – Cresce também a
necessidade de garantir transparência absoluta e cuidar dos riscos de
imagem a que as entidades estão sujeitas. Essa é uma preocupação estratégica na
Funpresp-Jud, observa Elaine de Oliveira Castro, diretora-presidente da
Funpresp-Jud, tanto é que a própria dirigente cuida pessoalmente do assunto.
Comunicação e relacionamento são administrados pela presidência ao lado da
Diretoria de Seguridade, embora todos participem. Para Elaine, é tão importante
que a alta direção se envolva com essas áreas quanto gerir bem os ativos e
passivos dos planos.
“Temos uma preocupação
grande com a transparência dos atos de gestão e comunicar corretamente esses
atos, assim como todas as nossas políticas aos participantes e patrocinadores é
vital”, sublinha a presidente. Até porque, lembra ela, “é muito difícil
construir a credibilidade mas muito fácil perdê-la”.
Ensino a distância - A Funpresp-Jud
colocou as áreas de comunicação e relacionamento em seu planejamento
estratégico, informa a presidente, de modo a encontrar sempre o tom certo e dar
“a cara” da entidade à comunicação com os seus diversos públicos. Um programa
de capacitação de 400 representantes da entidade junto às patrocinadoras –
tribunais e procuradorias da República – integra esse esforço.
E ainda neste primeiro
semestre será lançada uma plataforma de ensino a distância para os
servidores do Judiciario e do MP, com cursos a serem replicados pelos
patrocinadores para que eles possam qualificar seus funcionários em assuntos de
previdência complementar.
Ocupação das
patrocinadoras - A Eletros estabeleceu metas de retenção junto aos departamentos
de RH de suas seis patrocinadoras e, desse modo, passou a compreender melhor os
motivos das pessoas e a transmitir uma visão de longo prazo sobre o significado
dos planos de benefícios. “Trabalhamos também para aumentar os aportes
adicionais valorizando junto ao participante os ganhos com incentivos
fiscais”, explica Silvado.
Desde o início desse plano
estratégico, em 2013, a área de relacionamento ganhou maior dimensão e passou a
concentrar as ações, além de buscar a constante profissionalização e
qualificação da equipe. “Isso nos permitiu atender com maior qualidade obtendo
maior rendimento de uma equipe que continua pequena”, diz o diretor.
Os horários de atendimento
presencial e telefônico foram reduzidos, o que resultou em melhor desempenho
usando outros canais de comunicação. Outro aspecto fundamental é sair da
fundação e montar ações externas.
“Ocupações
das patrocinadoras” em dias inteiros de ação no hall das empresas é o programa
externo que leva os “consultores” da Eletros para falar diretamente com os
participantes. “Essa aproximação efetiva com participantes e patrocinadores
foge das respostas fáceis e aprofunda o relacionamento”, pontua Silvado.
Diário dos Fundos de Pensão