- Ao menos cem institutos de
previdência municipais e estaduais investiram em fundos do Master; veja
lista
- Compra de cotas atingiu quase R$ 240 milhões, e em vários casos
houve prejuízo
- Previdências dizem que buscam ressarcimento e alternativas a
investimentos e que não havia como prever perdas
Pelo menos cem regimes de previdência estaduais e municipais
investiram em fundos ligados ao Banco Master, revela levantamento da Folha com
base em dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Ministério da
Previdência.
O cruzamento indica que três previdências estaduais e 98
municipais colocaram recursos em cinco fundos de investimento conectados ao
banco de Daniel Vorcaro.
Esses fundos investiram em imóveis, empresas em que a
família Vorcaro tem participação, como a BR Cemitérios, e em ações da Ambipar,
que perderam valor após a empresa entrar em crise financeira e deixar de pagar
fornecedores e credores.
São eles o fundo de investimento em ações Texas I e os de
investimento imobiliário Áquila, Osasco Properties, São Domingos e Brazilian
Graveyard & Death Care.
Até agora, o que se sabia era que muitos institutos de previdência
haviam investido diretamente no Master, comprando letras financeiras do banco.
Dezoito órgãos estaduais e municipais compraram R$ 1,8 bilhão em letras do
Master sem garantia, entre eles o Amapá e o Rio de Janeiro.
- Chefes dos fundos de
previdência com maiores valores no Master têm conexões políticas
Os chefes dos fundos de previdência estaduais com as maiores
aplicações em letras financeiras do Banco Master são nomes com conexões ou
trabalhos anteriores na área política, segundo a Folha apurou.
Trata-se
dos casos do presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos,
alvo de operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (6),
e do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon
Antunes, preso em uma ação da PF na terça (3).
As
duas instituições respondem pela gestão das aposentadorias e pensões dos
servidores estaduais do Amapá e Rio de Janeiro, respectivamente.
Dados do Ministério da Previdência Social divulgados
em novembro apontam que a Amprev direcionou R$ 400 milhões para letras
financeiras do Master, atrás apenas do Rioprevidência, com R$ 970 milhões.
O
balanço considera o período entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
As letras financeiras não têm garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ou
seja, há risco de prejuízos para as instituições após a liquidação do Master, que está envolvido em
suspeitas de um amplo esquema de irregularidades.
FOLHA DE SÃO PAULO