Mudança em atribuições de cargos do INSS gera
insatisfação e receio de fila maior
- Presidente do órgão propôs que análise de requerimentos seja
atividade exclusiva de técnicos
- Alteração exclui carreira dos analistas, que hoje também atuam nos
processos de benefícios
Uma mudança na atribuição de cargos do INSS (Instituto Nacional do
Seguro Social) proposta pelo presidente do órgão, Gilberto Waller Jr., gerou a
insatisfação de parte dos servidores e o receio de que a medida possa
atrapalhar os esforços de redução da fila de segurados à espera de benefícios.
A minuta de decreto, enviada ao Ministério da Previdência Social, torna
as ações de análise de requerimentos, revisões, demandas judiciais, alterações
cadastrais e demais tarefas ligadas ao reconhecimento de direitos uma atividade
exclusiva dos técnicos do seguro social.
A medida pode impedir a atuação dos analistas do seguro social, carreira
minoritária no órgão, mas que tem atuado na avaliação dos pedidos num momento
de alta da fila, que chegou a 3,03 milhões em dezembro, segundo os últimos
dados divulgados pela Previdência.
No decreto atualmente em vigor, análises de
processos e atividades inerentes ao reconhecimento de direitos previdenciários
são tarefas comuns às duas carreiras.
A proposta de mudança gerou reação da Anaseg
(Associação Nacional dos Analistas do Seguro Social), que solicitou a
paralisação imediata da tramitação da minuta de decreto.
"A proposta atual, ao promover a exclusividade
das atividades finalísticas ao cargo de técnico, ignora alertas críticos das
áreas de gestão e ameaça colapsar o atendimento previdenciário em um momento de
filas crescentes", alerta o presidente da entidade, Jorge Og de
Vasconcelos Jr., em ofício encaminhado a Waller Jr.
Segundo ele, os analistas são responsáveis por
10,1% dos processos de reconhecimento inicial de direitos concluídos pelo
instituto, o equivalente a 60,4 mil análises por mês.
FOLHA DE SÃO PAULO