PERSPECTIVA SEMANAL


Inflação mais forte e riscos climáticos forçam revisão de cenário.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de março registrou alta de 0,88%, superando nossa projeção de 0,78% em 10 bps, em um movimento de piora disseminada na margem, ainda que concentrado em itens mais voláteis e impactados pela guerra. 

As principais surpresas altistas vieram de alimentação no domicílio — com destaque para leites, tubérculos e carnes —, bens administrados (gasolina e diesel) e serviços. 

Ainda assim, o caráter mais negativo do resultado decorre da sequência de leituras mais pressionadas do índice, que vem surpreendendo o mercado para cima desde o IPCA-15 de fevereiro — este com o maior desvio em relação à mediana das projeções. 

Em paralelo, observa-se um descolamento relevante no acumulado em 12 meses, que atingiu 4,14%, patamar significativamente acima da projeção de 3,6% da autoridade monetária para o período.

Diante das surpresas disseminadas e do aumento das incertezas associadas aos impactos da guerra sobre as cadeias globais, revisamos nossa projeção para o IPCA de 2026 para 4,9%. 

A revisão incorpora ajustes quantitativos relevantes, como a trajetória de passagens aéreas, considerando a hipótese de prolongamento do conflito para além de 45 dias; a alta de 13% no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de cigarros a partir de agosto; e revisões altistas para os preços da gasolina. 

Como contrapeso, passamos a projetar reajustes mais moderados para as tarifas de energia elétrica neste ano (em torno de 3,5%), refletindo o repasse antecipado de valores de UBP (Uso de Bem Público) pleiteados pelas concessionárias.

Para os próximos meses, a perspectiva é de moderação gradual. Em abril, esperamos que o IPCA recue para 0,77%, com algum alívio em combustíveis e alimentos in natura, compensando parcialmente o reajuste de medicamentos implementado em 1º de abril. 

Para maio, projetamos desaceleração para 0,5%, refletindo a dissipação da sazonalidade agrícola do início do ano, ainda que com impacto da perspectiva de bandeira amarela de energia e riscos altistas em passagens aéreas. 

Em junho, esperamos que a conta de luz seja pressionada pela transição para a bandeira vermelha patamar 1, enquanto os serviços devem seguir resilientes. 

Por outro lado, a alimentação no domicílio tende a apresentar comportamento mais benigno, em linha com sua sazonalidade.

Por fim, vale destacar que o cenário prospectivo — que contempla bandeira amarela em dezembro — pode se tornar mais adverso ao longo do ano. 

Há aumento na probabilidade de formação de um fenômeno El Niño mais intenso no último trimestre, o que poderia afetar negativamente as safras e pressionar os preços de alimentos in natura. 

Esse fator adiciona risco altista à nossa projeção de inflação, em um contexto já marcado por elevada incerteza quanto aos desdobramentos da guerra e seus efeitos sobre a cadeia produtiva global.

Destaques da semana

Brasil

No cenário doméstico, a atenção se volta para os dados de atividade econômica, com a Pesquisa Mensal de Serviços, Vendas no Varejo e o índice IBC-Br, além das leituras prévias de inflação (IGP-10, IPC-S e FIPE).

      Segunda-feira: Relatório Focus; Balança Comercial (2ª semana - abril).

      Terça-feira: Pesquisa Mensal de Serviços (fevereiro).

      Quarta-feira: IGP-10 (abril); Vendas no Varejo (fevereiro).

      Quinta-feira: IPC-S (2ª semana - abril); IBC-Br (fevereiro).

      Sexta-feira: FIPE CPI (2ª semana - abril).

Estados Unidos

A agenda norte-americana traz como destaques a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve (Fed), dados de inflação ao produtor (PPI), produção industrial e uma bateria de discursos de membros do banco central ao longo da semana.

      Segunda-feira (13): Vendas de Casas Existentes (março).

      Terça-feira (14): NFIB - Confiança do Pequeno Empresário (março); ADP Semanal; PPI (março); discursos de Austan Goolsbee, Henry Paulson, Susan Collins, Thomas Barkin e Michael Barr (Fed).

      Quarta-feira (15): Índice Empire Manufacturing (abril); Preços de Importados (março); discurso de Michelle Bowman (Fed); Livro Bege.

      Quinta-feira (16): Índice de Atividade de Serviços - FED Filadélfia (abril); Pedidos de Seguro Desemprego Semanal; discurso de John Williams (Fed); Produção Industrial (março).

Europa

Na Europa, o calendário apresenta dados de produção industrial na Zona do Euro e no Reino Unido, o índice de preços ao consumidor (CPI) da Zona do Euro, além de forte presença de membros do Banco Central Europeu (BCE) em discursos públicos.

      Terça-feira: Discursos de Gabriel Makhlouf e Christine Lagarde (BCE).

      Quarta-feira: Produção Industrial da Zona do Euro (fevereiro); discursos de José Luis Escrivá, François Villeroy de Galhau e Isabel Schnabel (BCE).

      Quinta-feira: Produção Industrial do Reino Unido (fevereiro); CPI da Zona do Euro (final de março); discursos Mārtiņš Kazāks, Isabel Schnabel, Olli Rehn, Philip R. Lane, Martin Kocher, Dimitar Radev e François Villeroy de Galhau (BCE).

Ásia

A semana na Ásia reúne indicadores industriais do Japão e um pacote importante de dados econômicos da China, incluindo o aguardado resultado do Produto Interno Bruto (PIB) e vendas no varejo.

      Terça-feira: Produção Industrial do Japão (final de fevereiro).

      Quarta-feira: Encomendas de Máquinas do Japão (fevereiro).

      Quinta-feira: PIB da China (março); Vendas no Varejo da China (março); Produção Industrial da China (março).

 

 



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