A Câmara dos
Deputados aprovou um projeto que permite a venda de medicamentos em
farmácias instaladas em supermercados. Agora, o texto precisa ser
sancionado por Lula para entrar em vigor.
As recomendações.
Os remédios deverão estar fisicamente separados de outros setores e fora das
prateleiras.
Os supermercados podem montar uma farmácia dentro da loja ou
licenciá-la, e será necessária a presença de um farmacêutico durante o
funcionamento.
Há regras para a
venda de medicamentos que precisam de controle especial, como o transporte em
embalagens lacradas até o caixa ou o pagamento prévio.
Vai pesar menos no
bolso? É o que as lojas esperam. A Abras (Associação Brasileira de
Supermercados) afirma que a medida aumenta a concorrência no setor e
"pressiona preços para baixo".
A indústria
farmacêutica, porém, tem suas ressalvas.
A Abrafarma
(Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias), que reúne as
maiores redes do varejo farmacêutico do país, duvida que haja desconto nos
produtos, já que os preços dos remédios é regulado pelo governo.
Conversei com a
repórter Daniele Madureira, que cobre negócios na Folha, para tirar algumas
dúvidas sobre o projeto:
Cura onde dói… Os
defensores acreditam que a mudança pode facilitar a vida dos usuários de
medicamentos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, argumenta que o texto
amplia o acesso da população a remédios.
… mas tem efeitos
colaterais. A deputada Maria do Rosário é uma das parlamentares contrárias à
medida. Para ela, o projeto cria um “problema de saúde pública”, pois pode
incentivar o uso de medicamentos.
Conveniência é a
chave. Se a presença de farmácias em supermercados deve ajudar os brasileiros
na hora de fazer compras, outro formato ganha cada vez mais espaço no dia a
dia: a venda online.
De dezembro de
2024 a novembro de 2025, o faturamento desses estabelecimentos no ambiente
digital aumentou 54,8% na comparação com o mesmo período.
•
O levantamento é da Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias)
com 29 redes associadas.
Pela primeira vez,
o comércio via sites e aplicativos movimentou um valor superior a R$ 20
bilhões. Apesar da expansão, a comercialização online ainda não supera a
presencial —que representa 82% do total.
↳ O iFood, por exemplo, viu a entrega de
produtos farmacêuticos crescer 80% no ano passado.
FOLHA MERCADO