Dependência
química entre idosos cresce e preocupa especialistas Álcool, medicamentos e
cigarro estão entre as substâncias mais adictivas na terceira idade
1.ÁlcooL
O álcool é
apontado como a substância que mais causa dependência química na terceira
idade. Segundo uma pesquisa do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool
(Cisa), um terço das internações relacionadas ao consumo
de álcool no
Brasil ocorre entre idosos. “É uma droga legalizada, de fácil acesso e com
preço baixo em comparação com outras substâncias.
Esses fatores
tornam seu consumo muito mais frequente do que o de outras drogas”, esclarece a
bióloga Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni, professora do Departamento de
Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A longo prazo, o
consumo excessivo pode provocar doenças crônicas, acelerar o declínio cognitivo
e, em casos extremos, levar à morte.
Dados recentes do
Cisa revelam que pessoas com 55 anos ou mais são as que mais morrem em
decorrência de complicações relacionadas ao álcool no País. Em 2010, foram
registrados 27.272 óbitos; em 2023, esse número subiu para 41.611. O estudo,
baseado em informações do Ministério da Saúde, mostra que a maior parte dos
óbitos atribuídos parcial ou totalmente ao álcool decorre de cirrose hepática
(que leva à falência do fígado), acidentes de trânsito,
doença cardíaca isquêmica e câncer colorretal.
2. Medicamentos
Outra forma de
dependência química que vem crescendo de maneira sorrateira na população mais
velha é relacionada à ingestão de remédios.
Para evitar a
dependência, Erika comenta que o uso de medicações demanda avaliações
periódicas e acompanhamento por profissionais de saúde, o que muitas vezes não
acontece.
Entre as
categorias com grande potencial adictivo está a dos benzodiazepínicos,
utilizados no tratamento de crises de ansiedade e insônia.
Embora sejam
indicados para uso de curto prazo, muitos idosos recorrem a essas substâncias
por anos. “Com o tempo, há o desenvolvimento de tolerância, o que exige doses
maiores para alcançar o
mesmo efeito
terapêutico. Isso traz consequências na saúde física e mental, além de
alterações em múltiplas esferas da vida”, informa Erika Ramirez, da UFMG.
No Brasil, a
dependência química de fármacos costuma ser subdiagnosticada, e os sintomas
tendem a ser atribuídos pelos familiares ao processo natural de envelhecimento.
Contudo, alguns
sinais podem ajudar os familiares a identificar se o idoso está desenvolvendo
dependência de medicamentos.
O ESTADO DE SÃO PAULO