Impactos
do conflito no Irã para a economia brasileira
O
agravamento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã, com ataques no estreito
de Ormuz, projeta impactos ambivalentes para a economia brasileira, com
reflexos que transitam entre o benefício comercial e o risco inflacionário.
Os
principais impactos nos preços de ativos internacionais são o aumento da
cotação do petróleo (e algumas outras commodities, como gás natural e
fertilizantes) e a aversão ao risco no mercado cambial, com apreciação do dólar
contra outras moedas.
Mas esses são apenas os movimentos iniciais, ainda com
incertezas sobre a duração do conflito e a magnitude final de seus impactos.
Sob
a ótica externa e fiscal, o cenário é inicialmente positivo, uma vez que a alta
nos preços do petróleo favorece a balança comercial e amplia a arrecadação da
União por meio de royalties e participações especiais.
No entanto, essa
valorização da commodity exerce uma pressão altista natural sobre a inflação,
especialmente via preços da gasolina e derivados.
Embora a Petrobras tenda a
absorver a volatilidade em um primeiro momento, a sustentação do conflito
tornaria o repasse de preços inevitável, deixando o resultado final da inflação
muito dependente da dinâmica do câmbio.
No
mercado cambial, o Real enfrenta forças opostas: se por um lado é beneficiado
pelo status de moeda de exportadora de óleo e pelo ganho fiscal, por outro,
sofre com a aversão global ao risco, que costuma punir ativos emergentes.
Essa
ambiguidade cambial é o que dita o tom para a política monetária brasileira.
Como o Banco Central (BC) trabalhava com projeções baseadas em um petróleo a
US$ 67/barril, a manutenção de patamares elevados eleva o risco inflacionário e
corrobora uma postura de maior cautela.
Estruturalmente, o processo de
desinflação no Brasil é muito dependente do comportamento dos bens
comercializáveis e do câmbio, não havendo "gordura" no setor de
Serviços para absorver choques externos severos.
A
atividade econômica mundial também pode ser afetada. Um choque de oferta (de
petróleo e outras commodities) costuma ter impacto para baixo na atividade
econômica, acompanhado de pressões de altas de preços dos produtos afetados.
A
ação indicada normalmente para bancos centrais é observar se há efeitos de
segunda ordem sobre os preços, em especial afetando as expectativas de
inflação. Caso não haja, a reação tende a ser ignorar os choques de oferta, mas
caso haja aumento generalizado de preços a autarquia tem de reagir.
Quanto
à condução da Selic, o cenário atual fortalece a tese de corte de 50 bps,
enfraquecendo as apostas de uma aceleração para corte de 75 bps.
Em última análise, o conflito corrobora
cenários mais conservadores para o tamanho total do ciclo de queda de juros,
reafirmando a necessidade de vigilância sobre o patamar do petróleo até as
próximas decisões de política monetária.
Destaques
da semana
Brasil
No
cenário doméstico, a semana apresenta a divulgação do Produto Interno Bruto
(PIB), indicadores do mercado de trabalho e da atividade industrial.
• Segunda-feira: IPC-S (4ª semana de
fevereiro); Relatório Focus; S&P Global - PMI Manufatura (fevereiro).
• Terça-feira: FIPE CPI (fevereiro); PIB (4º
trimestre de 2025); Caged (janeiro).
• Quarta-feira: S&P Global - PMI
Serviços (fevereiro).
• Quinta-feira: Taxa de Desemprego
(janeiro); Balança Comercial (fevereiro).
• Sexta-feira: IGP-DI (fevereiro); Produção
Industrial (janeiro).
Estados
Unidos:
A
agenda norte-americana concentra-se na divulgação de dados do mercado de
trabalho e da atividade nos setores de Manufatura e Serviços, e na publicação
do Livro Bege do Federal Reserve (Fed).
• Segunda-feira (2): S&P Global - PMI
Manufatura (final de fevereiro); ISM Manufatura (fevereiro).
• Terça-feira (3): Discursos de John C.
Williams e Neel Kashkari (Fed).
• Quarta-feira (4): ADP (fevereiro); S&P
Global - PMI Serviços (final de fevereiro); ISM Serviços (fevereiro); Livro
Bege.
• Quinta-feira (5): Preços de Importados
(janeiro); Pedidos de Seguro Desemprego (4ª semana de fevereiro).
• Sexta-feira (6): Vendas no Varejo
(janeiro); Payroll (fevereiro); Taxa de Desemprego (fevereiro); discurso de
Beth Hammack (Fed); Crédito ao Consumidor (janeiro).
Europa
Na
Europa, o calendário traz o PMI dos setores de Manufatura, Serviços e
Construção, além de dados de atividade da União Europeia.
• Segunda-feira: HCOB - PMI Manufatura da
Zona do Euro (final de fevereiro); S&P Global - PMI Manufatura do Reino
Unido (final de fevereiro); discursos de Christine Lagarde, Joachim Nagel e
Yannis Stournaras, do Banco Central Europeu (BCE).
• Terça-feira: CPI da Zona do Euro (prévia de
fevereiro); discurso de Martin Kocher (BCE).
• Quarta-feira: HCOB - PMI Serviços da
Alemanha (final de fevereiro); HCOB - PMI Serviços da Zona do Euro (final de
fevereiro); S&P Global - PMI Serviços do Reino Unido (final de fevereiro);
PPI da Zona do Euro (janeiro); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (janeiro);
discurso de Luis de Guindos (BCE).
• Quinta-feira: HCOB - PMI Construção do
Reino Unido (final de fevereiro); HCOB - PMI Construção da Zona do Euro (final
de fevereiro); discursos de Luis de Guindos, Olli Rehn e Christine Lagarde
(BCE); Vendas no Varejo da Zona do Euro (janeiro).
• Sexta-feira: Encomendas da Indústria da
Alemanha (janeiro); PIB da Zona do Euro (4º trimestre de 2025 t); discursos de
Piero Cipollone e Isabel Schnabel (BCE).
Ásia
A
agenda asiática destaca indicadores do mercado de trabalho e confiança no
Japão, além de índices de atividade na China.
• Terça-feira: Taxa de Desemprego do Japão
(janeiro).
• Quarta-feira: S&P Global - PMI Serviços
do Japão (final de fevereiro); PMI Manufatura da China (fevereiro); RatingDog
PMI Manufatura e Serviços da China (fevereiro); Confiança do Consumidor do
Japão (fevereiro
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