Dados de atividade e inflação nos EUA corroboram
visão de que alta de juros pelo FOMC não é iminente.
Desde a primeira reunião sob o comando de Kevin
Warsh na presidência do Federal Reserve (Fed), em junho, observou-se um aumento
na probabilidade de elevação dos juros pelo Federal Open Market Committee
(FOMC), o comitê de política monetária da autoridade, ainda este ano.
As
chances de uma alta de 25 pb na reunião de setembro subiram de 36% em 16 de
junho para praticamente 100% em 17 de julho. No entanto, essa expectativa
diminuiu consideravelmente na última semana devido à divulgação de uma série
importante de indicadores, recuando para 32% em 17 de agosto.
A percepção do mercado financeiro de que haveria um
aperto monetário em setembro baseava-se em declarações mais duras (hawkish)
vindas de membros do FOMC e em dados mais fortes de inflação e atividade. Warsh
vinha indicando um forte comprometimento com a meta de inflação de 2%, enquanto
diversos integrantes do comitê reiteravam que a inflação era a principal fonte
de preocupação.
Os números do período também vieram aquecidos, com a variação
acumulada em 12 meses do CPI (inflação ao consumidor) atingindo 4,17% A/A até
maio e a taxa anualizada dos últimos três meses chegando a 8,2%.
No mercado de
trabalho e na atividade econômica, a criação de vagas (payroll) registrava
média de 180 mil postos em três meses até março.
No entanto, os indicadores mais recentes de
inflação e atividade mostraram desaceleração.
O mercado de trabalho deixou de
pressionar o comitê, com a criação de vagas vindo em níveis bastante fracos nos
dados mais recentes (-17 mil em julho, 41 mil em junho e -140 mil no dado
revisado de maio).
O núcleo da inflação ao consumidor (CPI) ficou em -0,02% M/M
em junho e 0,22% M/M em julho. A inflação ao produtor (PPI) veio um pouco mais
alta, com núcleo de 0,1% M/M em junho e 0,4% M/M em julho, mas isso não altera
de forma substancial o cálculo do deflator do PCE (a medida de inflação
preferida do Fed).
O núcleo do deflator do PCE registrou variação baixa em
junho (0,14% M/M) e deve subir em julho (0,26% M/M), mantendo-se, contudo, em
patamares condizentes com uma desaceleração no médio prazo.
Além disso, os
primeiros dados de atividade de julho apontaram arrefecimento: as vendas no
varejo (principal motor de crescimento do PIB americano) recuaram -0,7% M/M, a
pior variação desde janeiro de 2025.
Ainda há um conjunto relevante de indicadores a
serem divulgados antes da reunião do FOMC em setembro, incluindo o payroll e o
CPI de agosto.
Por enquanto, contudo, os dados corroboram o cenário da
SulAmérica Investimentos de estabilidade na taxa básica de juros americana até
o final do ano.
Destaques da semana
Brasil
A agenda nacional concentra suas principais
divulgações no início da semana, com a apresentação do Relatório Focus e do
IBC-Br de junho na segunda-feira. Os dias seguintes contam com indicadores
menores de inflação e dias sem divulgações expressivas.
• Segunda-feira: Relatório Focus,
Balança Comercial (2ª semana - agosto), IPC-S CPI (2ª semana - agosto), IBC-Br
(julho).
• Terça-feira: FIPE CPI (2ª
semana - agosto).
• Quarta-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
• Quinta-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
• Sexta-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
Estados Unidos
A semana norte-americana traz dados relevantes para
o setor imobiliário e industrial, com destaque para a divulgação da Ata do FOMC
na quarta-feira. Na sexta-feira, as atenções voltam-se para as prévias dos PMIs
industrial e de serviços de agosto.
• Segunda-feira (17): NAHB -
Confiança do Construtor (prévia de agosto), Índice Empire Manufacturing (ago)
• Terça-feira (18): Concessões de
Alvarás (prévia de julho), Venda de casas pendentes (julho), Produção
Industrial (julho), Índice de Atividade de Serviços - FED NY (prévia de
agosto), ADP semanal, Preços de Importação (julho).
• Quarta-feira (19): Ata FOMC.
• Quinta-feira (20): Pedidos de
Seguro Desemprego Semanal, Indicador Antecedente (julho).
• Sexta-feira (21): S&P
Global PMI Industrial e de Serviços (prévia de agosto).
Europa
O bloco europeu terá uma semana concentrada em
dados de inflação (CPI da Zona do Euro e do Reino Unido) e na confiança
econômica através da Pesquisa ZEW. Na sexta-feira, o foco estará nas prévias
dos PMIs da Zona do Euro, Alemanha e Reino Unido, além das expectativas de
inflação do BCE.
• Segunda-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
• Terça-feira: Pesquisa ZEW da
Zona do Euro (agosto), Pesquisa ZEW da Alemanha (agosto), ILO Taxa de
Desemprego do Reino Unido (julho)
• Quarta-feira: CPI da Zona do
Euro (final de julho), Conta Corrente da Zona do Euro (julho), CPI do Reino
Unido (julho).
• Quinta-feira: PPI da Alemanha
(julho).
• Sexta-feira: S&P Global PMI
Industrial e de Serviços (prévia de agosto) da Zona do Euro, ECB - Expectativas
de 1 e 3 anos (julho), Confiança do Consumidor da Zona do Euro (prévia de
agosto), S&P Global PMI Industrial e de Serviços da Alemanha (prévia de
agosto), Vendas do Varejo do Reino Unido (julho), S&P Global PMI Industrial
e de Serviços do Reino Unido (prévia de agosto).
Ásia
A agenda asiática abre a semana com importantes
indicadores de atividade da China (Produção Industrial e Vendas no Varejo) e o
PIB do Japão. Ao longo da semana, ganham destaque a decisão das taxas de juros
prime na China e os dados de inflação (CPI) e PMI no Japão.
• Segunda-feira: Produção
Industrial da China (julho), Vendas no Varejo da China (julho), PIB do Japão
(2T26).
• Terça-feira: Produção
Industrial do Japão (julho).
• Quarta-feira: Pedido de
Máquinas do Japão (julho).
• Quinta-feira: Juros prime 1 ano
e 5 anos da China, Balança Comercial do Japão (julho).
• Sexta-feira: Natl CPI do Japão
(julho), S&P Global PMI Industrial e de Serviços do Japão (prévia de
agosto).
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