PERSPECTIVA SEMANAL


PERSPECTIVA SEMANAL

Nova realidade tarifária dos EUA, com acordos, cartas e impactos para o Brasil

Na semana passada, o governo do presidente norte-americano Donald Trump implementou uma nova rodada de tarifas, acompanhada de cartas e acordos que resultaram em “ganhos” para os Estados Unidos com parceiros relevantes. 

A resultante é um aumento expressivo da tarifa média de importação, com paralelos ao início do século XX, e reforça uma tendência global de maior protecionismo. 

É importante lembrar que tarifas reduzem a produtividade e, portanto, o PIB potencial, trazendo custos de longo prazo para a economia.

Os dados mostram que existe uma defasagem entre o anúncio das tarifas e seu impacto efetivo sobre a arrecadação. 

Esse intervalo sugere que os efeitos sobre a inflação e a atividade econômica também levarão algum tempo para se materializar completamente. 

O cenário base, portanto, é de que os impactos plenos das medidas serão sentidos de forma gradual, influenciando preços e crescimento ao longo dos próximos trimestres.

Um ponto de destaque da nova rodada de anúncios foi a determinação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o maior aumento em relação ao período do “Liberation Day”. 

Pela primeira vez, o uso de tarifas foi explicitamente motivado por razões políticas e ideológicas, com críticas dos EUA ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Ainda assim, a Ordem Executiva veio com exceções relevantes: cerca de 44% das exportações brasileiras para os EUA ficaram isentas da taxa de 40% adicional, incluindo produtos como aviões e componentes, suco de laranja, celulose e químicos.

O momento exige atenção à resposta brasileira e ao risco de escalada nas tensões comerciais. Embora parte significativa do impacto tenha sido mitigada pelas exceções, o aumento tarifário reforça a necessidade de monitorar não apenas os fluxos comerciais, mas também as implicações macroeconômicas e políticas dessa nova fase do comércio internacional.

Destaques da semana

Estados Unidos

O principal destaque será a divulgação da Inflação ao consumidor (CPI) de julho, com projeção da SulAmérica Investimentos de 0,25% M/M para o índice cheio, e de 0,23% M/M para o núcleo;

•    Terça-feira (12): Inflação ao Consumidor (julho) deve ter variação de 0,2% M/M no índice cheio, e de 0,3% M/M no núcleo, segundo mediana de mercado. Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City, discursa.

•    Quinta-feira (14): Inflação ao Produtor (julho) deve ter variação de 0,2% M/M no índice cheio, e de 0,2% M/M no núcleo, segundo mediana de mercado. Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, discursa.

•    Sexta-feira (15): Vendas no Varejo (julho) devem desacelerar de 0,6% M/M para 0,3% M/M no índice cheio, e de 0,5% M/M para 0,3% M/M no grupo de controle. Produção Industrial (julho) também deve desacelerar, de 0,3% M/M para 0,0% M/M. Preços de Importação (julho) devem ficar estáveis (0,0% M/M).

Europa

Semana sem grandes destaques.

•    Terça-feira (12): Pesquisa ZEW (agosto) na Alemanha, que deve piorar de 52,7 pontos para 39,5 pontos, e na Zona do Euro.

•    Quinta-feira (14): Produção Industrial (junho) na Zona do Euro deve diminuir de +1,7% M/M para -1,0% M/M. PIB do Reino Unido (2º trimestre de 2025) deve diminuir de 0,7% T/T para 0,1% T/T.

Ásia:

Dados de atividade na China serão destaque nesta semana.

•    Sem data definida: Até o dia 15/8 devem ser divulgados os dados de Crédito de julho na China.

•    Sexta-feira: Na China, as Vendas no Varejo (julho) devem diminuir de 4,8% A/A para 4,6% A/A, e a Produção Industrial (julho), de 6,8% A/A para 6,0% A/A. O PIB do Japão (2º trimestre de 2025) deve aumentar de 0,0% T/T para +0,1% T/T.

Brasil:

Destaque é divulgação do IPCA, mas dados de atividade também são importantes.

•    Terça-feira (12): IPCA (julho), deve avançar 0,36% M/M, segundo a projeção da SulAmérica Investimentos, enquanto a expectativa mediana do mercado é de 0,35% M/M.

•    Quarta-feira (13): Vendas no varejo (junho).

•    Quinta-feira (14): Pesquisa mensal de serviços (junho).



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