CASO MASTER


A nova fase da Operação Compliance Zero, a mesma que prendeu Daniel Vorcaro no ano passado e, novamente, em março deste ano, apura as irregularidades na atuação do BRB (Banco de Brasília) na tentativa de comprar do Master.

O Banco Central rejeitou a aquisição em setembro de 2025. Pouco mais de dois meses depois, a instituição de Vorcaro foi liquidada.

Ontem, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso pela Polícia Federal. Ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

A defesa diz que seu cliente não praticou nenhum crime e que a medida é um exagero. Ele comandou o banco público de janeiro de 2019 a novembro de 2025.

Tem mais: é suspeito de ocultar seis imóveis, avaliados em R$ 146,5 milhões. Os bens teriam sido recebidos como propina para aprovar a compra de carteiras do Master consideradas fraudulentas.

De olho no zap. Conversas extraídas dos celulares dos investigados mostram que os envolvidos na compra dessas carteiras sabiam das inconsistências. Mesmo assim, as aquisições foram conduzidas às pressas.

Os documentos também mostram diálogos entre Vorcaro e Costa sobre os apartamentos. Em uma passagem, eles combinam uma visita a um dos locais.

Vorcaro tratava do assunto diretamente. Em uma mensagem, pediu que uma corretora tomasse providências depois que o ex-presidente do BRB ficou decepcionado por não ter conseguido visitar um dos apartamentos.

O advogado Daniel Monteiro, também preso na operação, atuava para ocultar o verdadeiro dono dos bens. Ele teria recebido R$ 86 milhões para participar de todo o esquema do Master. Para isso, operou uma estrutura de empresas de fachada e fundos de investimento.

Consequências duradouras. Desde a tentativa frustrada de compra do banco de Vorcaro e da aquisição das carteiras, o BRB enfrenta uma crise financeira.

Investigações da PF estimam que o banco estatal comprou, aproximadamente, R$ 12,2 bilhões em ativos falsos; a instituição diz ter recuperado parcialmente esse valor.

O montante necessário para cobrir as perdas poderia chegar a R$ 5 bilhões, mas o tamanho do rombo deixado pelas operações continua desconhecido. Agora, a instituição está em busca de alternativas para se manter de pé.



FOLHA MERCADO
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