PERSPECTIVA SEMANAL


Instabilidade política e riscos fiscais impulsionam pressão sobre os juros no Reino Unido.

O Reino Unido enfrenta um longo período de estagnação econômica desde a crise financeira de 2008, agravado pelos efeitos do Brexit, por problemas crônicos de produtividade e pela perda de relevância de Londres como um centro financeiro global. 

Esse cenário gerou forte insatisfação popular e constante instabilidade política, culminando recentemente na pior derrota do Partido Trabalhista em eleições regionais nos últimos cem anos. 

O partido perdeu o controle do País de Gales e viu metade de seus assentos regionais desaparecerem, com o eleitorado migrando para votos de protesto em legendas separatistas e no partido populista de direita Reform UK.

Essa derrota histórica desencadeou uma forte rebelião interna contra o atual primeiro-ministro Keir Starmer, que já enfrenta a oposição de cerca de 100 membros de seu próprio partido no parlamento e a renúncia de ministros importantes. 

Como Starmer se recusa a renunciar, a crise deve se estender até a convenção do partido, em setembro, onde desafiantes precisarão reunir apoio interno para tentar tomar a liderança. 

Entre os possíveis sucessores estão Wesley Streeting, favorito do mercado, mas impopular com a base trabalhista, Angela Rayner, popular no partido, mas com resistências no sul do país, e Andy Burnham, atual prefeito de Manchester, que tem propostas mais à esquerda envolvendo a reestatização de serviços, mas que ainda precisa conquistar um assento no parlamento para poder disputar o cargo.

Toda essa instabilidade política e a perspectiva de trocas no poder estão pressionando

fortemente as taxas de juros britânicas desde o resultado das eleições regionais, em 7 de maio de 2026. 

O mercado financeiro avalia que o governo inevitavelmente adotará uma política fiscal mais frouxa e aumentará os gastos públicos, em uma tentativa de recuperar a popularidade perdida, o que eleva os riscos inflacionários e pode forçar o Banco da Inglaterra a adotar uma postura mais rígida para conter os preços. 

Apesar desse forte impacto na economia local, o efeito de contágio nos juros globais tende a ser bastante limitado, uma vez que os dados históricos mostram que choques econômicos originados no Reino Unido dificilmente afetam de forma duradoura as curvas de juros de outros países.

A perspectiva macroeconômica para o curto prazo é de turbulência política contínua ao longo dos próximos meses. 

O Partido Trabalhista tem até agosto de 2029 para tentar recuperar sua aprovação antes da data-limite para a convocação de novas eleições gerais. 

Caso a economia não reaja de forma sustentável e a crise de popularidade persista, o grande beneficiário poderá ser o Reform UK, que já se posiciona como um forte desafiante a assumir o país, mas que também carrega uma plataforma fiscalmente populista baseada em cortes agressivos de impostos e aumentos de gastos sem contrapartidas claras. 

Dessa forma, a pressão e a incerteza sobre os juros e a estabilidade fiscal do Reino Unido devem permanecer no radar econômico por um longo período.

Destaques da semana

Brasil

No panorama doméstico, as atenções concentram-se no índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) e nas leituras semanais de inflação e balança comercial.

    Segunda-feira: Relatório Focus; IBC-Br (março); IPC-S (2ª semana de maio); Balança Comercial (2ª semana de maio).

    Terça-feira: FIPE CPI (2ª semana de maio).

Estados Unidos

A agenda norte-americana apresenta uma série de indicadores do setor imobiliário, sondagens de atividade regionais, a divulgação da ata do FOMC e dados sobre o desemprego e a confiança dos consumidores.

    Segunda-feira (18): Índice de Atividade de Serviços do Fed Nova York.

    Terça-feira (19): Vendas de Casas Pendentes (abril); discurso de Anna Paulson (Fed).

    Quarta-feira (20): Ata do FOMC.

    Quinta-feira (21): Pedidos de Seguro de Desemprego Semanal; Índice de Atividade de Serviços do Fed Filadélfia; Sondagem Industrial do Fed Kansas; Novas Construções Residenciais (abril); Concessões de Alvarás (abril); S&P Global Serviços (prévia de maio).

    Sexta-feira (22): Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan (final de maio); Índice de Atividade de Serviços do Fed Kansas.

Europa

No continente europeu, o calendário é focado na divulgação de índices de inflação, dados relativos ao Produto Interno Bruto (PIB) e taxas de desemprego, bem como em discursos de vários membros do Banco Central Europeu (BCE).

    Terça-feira: Taxa de Desemprego do Reino Unido (março); discurso de Gabriel Makhlouf (BCE).

    Quarta-feira: CPI do Reino Unido (abril); RPI do Reino Unido (abril); PPI da Alemanha (abril); CPI da Zona do Euro (final de abril).

    Quinta-feira: S&P Global Serviços da Alemanha (prévia de maio); S&P Global Serviços da Zona do Euro (prévia de maio); S&P Global Serviços do Reino Unido (prévia de maio); discurso de François Villeroy de Galhau (BCE); Sabatina de Emmanuel Moulin, cotado para o cargo de Presidente do Banco da França no lugar de Galhau; Confiança do Consumidor da Zona do Euro.

    Sexta-feira: GfK - Confiança do Consumidor da Alemanha (junho); PIB da Alemanha (final do 1º trimestre); Vendas a Retalho do Reino Unido (abril); discursos de Philip R. Lane, Boris Vujčić, Peter Kažimír e Madis Müller (BCE); IFO - Clima de Negócios da Alemanha (maio).

Ásia

A semana asiática é dedicada aos indicadores do Japão, com destaque para a leitura do PIB, produção industrial, inflação e atividade do setor de serviços.

    Terça-feira: PIB do Japão (prévia do 1º trimestre); Produção Industrial do Japão (final de março).

    Quinta-feira: Encomendas de Máquinas do Japão (março); S&P Global Serviços do Japão (prévia de maio).

    Sexta-feira: CPI Nacional do Japão (abril).



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