Shutdown acaba
nos EUA, mas qualidade dos dados econômicos gera dúvidas no mercado.
O fim do
shutdown nos Estados Unidos se encerrou após 43 dias de paralisação — o período
mais longo da história – e, agora, o caminho se abre para a retomada gradual da
divulgação dos indicadores econômicos. A qualidade de parte dessas informações,
no entanto, deve permanecer comprometida por algum tempo.
A paralisação
de servidores federais norte-americanos, resultado da falta de acordo sobre o
orçamento federal, terminou na semana passada, após entendimento entre o
Partido Republicano e um grupo de Democratas dissidentes.
O episódio teve
impacto mais severo do que shutdowns anteriores. A redução de recursos e
pessoal em diversas agências ao longo do ano, decorrente das medidas do
Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), criado
pelo presidente Donald Trump, deixou menos margem de manobra para manter
diversas funções em operação.
Ao todo, cerca de 800 mil funcionários ficaram
afastados dos serviços, o dobro do observado em 2019.
Diferentemente daquele
episódio, programas emergenciais e pesquisas consideradas vitais — como o Programa
de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP, na sigla em inglês) e
levantamentos econômicos — não tiveram provisões especiais desta vez, o que
aprofundou os efeitos da interrupção.
Nos dados
econômicos, o impacto será sentido em duas frentes: atraso e menor qualidade.
As agências estatísticas começam agora a normalizar seus cronogramas, com o
payroll de setembro previsto para ser divulgado nesta quinta-feira, quase um
mês após o originalmente esperado.
Entretanto, pesquisas que dependem de
trabalho de campo, como o CPI (inflação ao consumidor) e a CPS (pesquisa de
emprego com famílias), não foram realizadas no período adequado, o que
significa que o dado do mercado de trabalho pode nem ser divulgado, e que o de
inflação terá elevado grau de imputação, reduzindo a precisão das estimativas.
A combinação de
lacunas informacionais e incertezas sobre a credibilidade dos dados tende a
reforçar a postura cautelosa do Comitê Federal de Mercado Averto (FOMC) na
reunião de dezembro.
Com a inflação potencialmente medida por levantamentos
incompletos, os membros mais hawkishes do FOMC podem considerar insuficientes
os sinais de desinflação para alterar sua avaliação de risco.
Destaques da
semana
Brasil
A agenda
doméstica será marcada por dados de inflação (IPC-S, IPC-Fipe), indicadores de
atividade (IBC-Br) e o Feriado Nacional na quinta-feira.
• Segunda-feira: FGV CPI IPC-S (2ª semana de
novembro); Relatório Focus; IBC-Br (setembro); Balança Comercial Semanal (2ª
semana de novembro).
• Terça-feira: IPC-Fipe (2ª semana de
novembro).
• Quinta-feira: Feriado Nacional.
Estados Unidos:
AA agenda da
semana será marcada por dados de atividade, inflação, mercado de trabalho e
confiança, além de diversos discursos de membros do Federal Reserve (Fed) e da
divulgação da ata do FOMC.
• Segunda-feira (17): Índice Empire
Manufacturing (novembro); discursos de Philip N. Jefferson e Neel Kashkari
(Fed); Gastos com Construção (agosto).
• Terça-feira (18): Encomendas de bens
duráveis (agosto); Encomendas à Indústria (agosto); discursos de Thomas Barkin,
Michael S. Barr e Lorie K. Logan (Fed); NAHB: Confiança do Construtor
(novembro); Índice de Preços de Importação (outubro); Produção Industrial
(outubro).
• Quarta-feira (19): Pedido de Hipotecas
(novembro); Novas Construções Residenciais (outubro); Balança Comercial
(agosto); ata do FOMC; Concessões de Alvarás (parcial de outubro); discursos de
Thomas Barkin, Michael S. Barr e John C. Williams (Fed).
• Quinta-feira (20): Pedidos de Seguro
Desemprego (novembro); discursos de Elizabeth Hammack, Lisa D. Cook, Austan D.
Goolsbee e Anna Paulson (Fed); Indicadores Antecedentes (outubro); Confiança do
Consumidor (prévia de novembro); Sondagem Industrial da Filadélfia (novembro);
Payroll (setembro); Vendas de Casas Existentes (outubro); Sondagem Industrial
de Kansas City (novembro); Taxa de Desemprego (setembro).
• Sexta-feira (21): Discursos de John C.
Williams, Michael S. Barr, Philip N. Jefferson e Lorie K. Logan (Fed); S&P
Global PMI de Serviços e Industrial (parcial de novembro); Confiança do
Consumidor da Univ. de Michigan (novembro); Índice de Serviços de Kansas
(novembro).
Europa
Na Zona do Euro
e Reino Unido, a semana trará dados de inflação, atividade, preços de imóveis e
finanças públicas, além de diversos discursos de membros do Banco Central
Europeu (BCE).
• Segunda-feira: Discursos de Luis de
Guindos, Olaf Sleijpen, Philip R. Lane e Fabio Cipollone (BCE).
• Terça-feira: Discurso de Marko Dolenc
(BCE).
• Quarta-feira: CPI do Reino Unido (outubro);
Vendas do Varejo do Reino Unido (outubro); Conta Corrente da Zona do Euro
(setembro); CPI da Zona do Euro (outubro).
• Quinta-feira: PPI da Alemanha (outubro);
Confiança do Consumidor da Zona do Euro parcial de novembro.
• Sexta-feira: Discursos de Martin Kocher,
Christine Lagarde, Joachim Nagel Georg Müller e Luis de Guindos (BCE); HCOB PMI
de Serviços e Industrial da Alemanha (parcial de novembro); HCOB PMI de
Serviços e Industrial da Zona do Euro (parcial de novembro); GfK Confiança do
Consumidor do Reino Unido (novembro); S&P Global PMI Serviços e Industrial
do Reino Unido (parcial de novembro); Vendas no Varejo do Reino Unido
(outubro).
Ásia
O foco se volta
para os indicadores de atividade e dados de inflação do Japão, além da decisão
de juros na China.
• Segunda-feira: Produção Industrial do Japão
(setembro); PIB do Japão (parcial do 3º trimestre).
• Quarta-feira: Balança Comercial do Japão
(outubro); Pedidos de Máquinas do Japão (setembro).
• Quinta-feira: Juros prime 1 ano e 5 anos da
China (novembro).
• Sexta-feira: CPI do Japão (outubro);
S&P Global PMI Serviços do Japão (parcial de novembro).
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