O desejo do Copom frente à realidade das
expectativas.
O Comitê de Política Monetária do Banco Central do
Brasil (Copom) se reúne nesta quarta-feira em um ambiente marcado pela
volatilidade global, mas que apresentou uma ligeira melhora na cotação de
energia no exterior, e pela resiliência da economia no ambiente doméstico.
Embora os dados na margem indiquem uma desaceleração em relação ao ritmo forte
do primeiro trimestre, o mercado de trabalho arrefece de forma bastante
gradual, e a sucessão de estímulos fiscais e parafiscais anunciados afasta o
diagnóstico de desaceleração abrupta à frente.
No campo dos preços, a inflação corrente apresentou
um alívio recente, que permitiu revisões favoráveis para a projeção de 2026.
Contudo, contrariando o padrão histórico da dinâmica das expectativas no
Brasil, essa melhora de curto prazo não conteve a deterioração das projeções
para horizontes mais distantes.
Pelo contrário: houve uma clara piora nas
estimativas para 2028 — horizonte relevante para a busca da meta de 3% —,
acompanhada do aumento nas médias para 2029 e 2030, representando um desafio
adicional para a gestão de credibilidade da autoridade monetária.
Nas sinalizações recentes, o Banco Central buscou
esclarecer o rolamento do horizonte que justificou o último corte de juros, mas
não indicou qualquer reavaliação ou questionamento sobre a decisão de
flexibilizar a política monetária.
Esse posicionamento reforça a percepção de
uma preferência revelada por continuar cortando a Selic, ainda que sobre bases
cada vez mais frágeis, adotando uma postura de tentar explicar a desancoragem
das expectativas em vez de reagir a ela.
Diante desse quadro, o cenário mais provável para a
reunião de quarta-feira é que o Copom siga o seu "desejo" de dar
continuidade ao ciclo de calibração da taxa de juros, cortando a Selic em
0,25%.
Em relação à comunicação, a expectativa é de um discurso estritamente
dependente dos dados, sem sinalizações explícitas sobre os passos futuros.
Para
além desta reunião, mantemos uma postura de cautela, visto que a realidade de
um processo desinflacionário complexo advoga contra a tomada de riscos
adicionais na condução da política monetária.
Destaques da semana
Brasil
No panorama doméstico, as atenções se voltam para a
decisão de taxa de juros na quarta-feira, com a reunião do Copom. A agenda
nacional também conta com o resultado da Produção Industrial Mensal (PIM), o
tradicional Relatório Focus e os indicadores iniciais de inflação de agosto
(IPC-S e FIPE).
• Segunda-feira: Relatório Focus;
IPC-S CPI (1ª semana de agosto).
• Terça-feira: Fenabrave (julho);
FIPE CPI (1ª semana de agosto); PIM - Produção Industrial Mensal (junho).
• Quarta-feira: Decisão de taxa
de juros.
• Quinta-feira: Balança Comercial
(julho).
• Sexta-feira: IGP-DI (julho);
Anfavea (julho).
Estados Unidos
A agenda norte-americana é dominada pelos dados do
mercado de trabalho, com as aguardadas divulgações do Payroll e JOLTS. Além
disso, a semana traz importantes índices de atividade dos setores industrial e
de serviços (PMI e ISM), dados da balança comercial e discursos de membros do
Federal Reserve (Fed).
• Segunda-feira (03): S&P
Global PMI Industrial (final de julho); ISM Manufatura (julho); Gastos com
Construções (junho).
• Terça-feira (04): Balança
Comercial (junho); Pedidos de Máquinas (junho); JOLTS (junho); Pedidos de Bens
Duráveis (final de junho).
• Quarta-feira (05): ADP Semanal;
S&P Global PMI Serviços (final de julho); ISM Serviços (julho); Discurso de
Lisa Cook (Fed).
• Quinta-feira (06): Custo
Unitário do Trabalho (prévia do 2º trimestre); Pedidos de Seguro-desemprego
Semanal; Discurso de Alberto Musalem (Fed).
• Sexta-feira (07): Payroll
(julho); Taxa de Desemprego (julho); Discurso de Thomas Barkin (Fed); Crédito
ao Consumidor (junho); Expectativas de Inflação de 1 ano do Fed em Nova York
(julho).
Europa
Na Europa, a semana concentra diversas leituras
finais dos índices de atividade (PMIs Industriais e de Serviços) da Alemanha,
Zona do Euro e Reino Unido. A agenda também conta com dados de inflação ao
produtor (PPI) e Vendas no Varejo na Zona do Euro, além de balança comercial e
indústria alemã no final da semana.
• Segunda-feira: Vendas do Varejo
da Alemanha (junho); S&P Global PMI Industrial da Alemanha (final de
julho); S&P Global PMI Industrial da Zona do Euro (final de julho); S&P
Global PMI Industrial do Reino Unido (final de julho).
• Terça-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
• Quarta-feira: PPI da Zona do
Euro (junho); S&P Global PMI Serviços da Alemanha (final de julho); S&P
Global PMI Serviços da Zona do Euro (final de julho); S&P Global PMI
Serviços do Reino Unido (final de julho).
• Quinta-feira: Pedidos às
Fábricas da Alemanha (junho); Vendas do Varejo da Zona do Euro (junho).
• Sexta-feira: Balança Comercial
da Alemanha (julho); Produção Industrial da Alemanha (junho).
Ásia
A agenda asiática traz os índices de atividade PMI
(Industrial e de Serviços) da China (pelo RatingDog) e do Japão. Os
investidores também acompanham de perto os números da Balança Comercial
chinesa, a ser divulgada na sexta-feira.
• Segunda-feira: S&P Global
PMI Industrial do Japão (final de julho); RatingDog PMI Industrial da China
(julho).
• Terça-feira: Base Monetária do
Japão (julho).
• Quarta-feira: Rendimentos
Salariais do Japão (junho); S&P Global PMI Serviços do Japão (final de
julho); RatingDog PMI Serviços da China (julho).
• Quinta-feira: Sem indicadores
relevantes previstos na agenda.
• Sexta-feira: Balança Comercial
da China (julho); Indicador Antecedente do Japão (prévia de junho).
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