PERSPECTIVA SEMANAL


Desafios inflacionários motivam revisão na trajetória de juros no Brasil e nos EUA.

Na semana passada, o Banco Central do Brasil reduziu mais uma vez a Selic, para 14,5%.  

No entanto, o cenário econômico atual impõe desafios à continuidade do ciclo de cortes da taxa básica de juros. 

A autoridade monetária reconheceu em parte esses desafios, ao apresentar um cenário um pouco mais adverso, projetando uma inflação (IPCA) de 3,5% no horizonte relevante, um pouco acima do que era esperado pelo mercado. 

Considerando que a barra para o BC revisar sua projeção para o centro da meta tornou-se elevada com esse ponto de partida, revisamos a nossa estimativa para a taxa Selic terminal em 2026, que passa de 13% para 14%.

Essa alteração é fundamentada pela piora na composição qualitativa da inflação. 

Mesmo sob a hipótese de uma melhora moderada nos preços do petróleo no mercado internacional — o que traria alívio aos preços administrados (como combustíveis) —, observamos uma pressão disseminada. 

A confirmação de uma atividade econômica resiliente deve levar a uma revisão do hiato do produto (medida de capacidade ociosa da economia), elevando as projeções para os preços livres. 

Além disso, o cenário de alta nos alimentos e a propagação de efeitos secundários na economia ainda não foram totalmente incorporados, mantendo a dinâmica inflacionária complexa e acima da meta.

Adicionalmente, frente às expectativas desancoradas no Boletim Focus e a um Comitê de Política Monetária (Copom) que demonstra heterogeneidade de visões, avaliamos que a autoridade monetária adotará uma postura reativa, não indo contra as revisões do mercado. 

Com o risco relevante de interrupção do ciclo de cortes já no mês de junho, o ajuste do nosso cenário para uma Selic de 14% é o caminho que vemos para compatibilizar a inclinação do BC pelo alívio monetário com a atual realidade inflacionária. 

Vale ressaltar que essa projeção poderá ser reavaliada com a divulgação da ata da reunião da semana passada, que trará maiores detalhes sobre a função de reação do BC.

No ambiente internacional, o banco central norte-americano também enfrenta um debate de curto prazo complexo devido à inflação ainda elevada nos Estados Unidos. 

O anúncio da permanência de Jerome Powell na instituição foi acompanhado por três votos divergentes de tom mais conservador quanto à sinalização dos próximos passos. 

Essa heterogeneidade no comitê americano torna a barra para o início da redução dos juros um pouco mais alta. 

Como reação a essa postura mais cautelosa, postergamos a nossa projeção para o início dos cortes de juros nos EUA para dezembro de 2026, com outra redução das Fed Funds em março de 2027. 

Mantemos a perspectiva de que os cortes ocorrerão amparados na expectativa de um enfraquecimento gradual do mercado de trabalho estadunidense até o final do ano.

Destaques da semana

Brasil

No cenário doméstico, os principais destaques são a divulgação da ata do Copom e dos dados de produção industrial, além de leituras de índices de preços e medições de atividade dos setores industrial e de serviços.

•   Segunda-feira: Relatório Focus; S&P Global PMI Industrial (abril); IPC-S (4ª semana de abril).

•    Terça-feira: FIPE CPI (abril); Ata do COPOM.

•    Quarta-feira: S&P Global PMI Serviços (abril).

•    Quinta-feira: Produção Industrial (março); Balança Comercial (abril).

•    Sexta-feira: IPC-S (1ª semana de maio); IGP-DI (abril).

Estados Unidos

A agenda norte-americana ganha destaque com uma sequência de dados cruciais do mercado de trabalho, além de indicadores de atividade do setor de serviços, balança comercial e diversos pronunciamentos de membros do Federal Reserve (Fed).

•  Segunda-feira (4): Pedidos de Máquinas (março); Encomendas de Bens Duráveis (final de março); discurso de John Williams (Fed).

•    Terça-feira (5): Balança Comercial (março); S&P Global PMI Serviços (final de abril); ISM Serviços (abril); JOLTS (março); discurso de Michael Barr (Fed).

•    Quarta-feira (6): ADP - Emprego (abril); discursos de Alberto Musalem e Austan Goolsbee (Fed).

•   Quinta-feira (7): Pedidos de Seguro Desemprego Semanal; Gastos com Construções (março); FED NY - Expectativas de 1 ano (abril); discursos de Beth Hammack e Williams (Fed); Crédito ao Consumidor (março).

•    Sexta-feira (8): Payroll (abril); Taxa de Desemprego (abril); Confiança do Consumidor da Univ. de Michigan (prévia de maio); Estoques do Atacado (final de março); discurso de Goolsbee (Fed).

Europa

Na Europa, o calendário apresenta a consolidação dos índices de gerentes de compras (PMIs) dos setores industrial e de serviços, dados de vendas no varejo e inflação ao produtor, acompanhados de uma extensa série de discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE).

•    Segunda-feira: S&P Global PMI Industrial da Zona do Euro (final de abril); discursos de Primož Dolenc, François Villeroy, Martin Kocher, Joachim Nagel, Fabio Panetta e Luis de Guindos (BCE).

•    Terça-feira: Discurso de Philip R. Lane (BCE).

•    Quarta-feira: S&P Global PMI Serviços da Alemanha (final de abril); discursos de Lane e Piero Cipollone (BCE); S&P Global PMI Serviços da Zona do Euro (final de abril); S&P Global PMI Serviços do Reino Unido (final de abril); PPI da Zona do Euro (março).

•    Quinta-feira: Pedidos de Máquinas da Alemanha (março); discursos de Kocher, Villeroy, Lane, Isabel Schnabel e Guindos (BCE); Vendas no Varejo da Zona do Euro (março).

•    Sexta-feira: Produção Industrial da Alemanha (março); discurso de Guindos (BCE).

Ásia

A agenda asiática é mais enxuta nesta semana, centrando-se nas leituras do setor de serviços (PMIs) da China e do Japão, além de encomendas de máquinas japonesas.

•    Quarta-feira: RatingDog PMI Serviços da China (abril).

•    Sexta-feira: S&P Global PMI Serviços do Japão (final de abril); Pedidos de Máquinas do Japão (prévia de abril).



SULAMERICA INVESTIMENTOS
Tel: 11 5044-4774/11 5531-2118 | suporte@suporteconsult.com.br