LONGEVIDADE



Segundo um estudo recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas no mundo sente-se solitária, um dado que acende alertas não apenas emocionais, mas sociais e fisiológicos. 

A solidão não é só tristeza ou falta de companhia. 

Ela pode afetar diretamente a saúde, gerando consequências como depressão, hipertensão, distúrbios do sono e até o comprometimento da imunidade.

Pesquisa brasileira publicada na revista científica Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), constatou que boa parte dos idosos brasileiros está solitária. 

O levantamento analisou 9.412 pessoas, e 16% afirmaram se sentir sozinhos o tempo inteiro.

Segundo a geriatra Alessandra Ferrarese, do Hospital São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro, as principais consequências do isolamento para a terceira idade são ansiedade, depressão e declínio funcional devido à falta de estímulos físicos e cognitivos. 

“Os acidentes de queda e queimadura são motivo de preocupação caso o paciente já esteja em declínio cognitivo ou físico. Um idoso robusto, sem alteração cognitiva, não tem esse risco”, explica.


Estudos recentes revelaram aumento da ativação do sistema nervoso simpático e redução da regulação do parassimpático (responsável pelo repouso e pela recuperação) entre as pessoas idosas que vivem sozinhas. 

E essas mudanças podem criar obstáculos para a capacidade de adaptação cerebral e a geração de novas células do cérebro.

Vivemos em sociedades cada vez mais digitais, rápidas e eficientes. No entanto, o que se perdeu nesse processo foram os pequenos encontros: a conversa no caixa da padaria, o “bom dia” no ponto de ônibus, o comentário sobre o tempo com um desconhecido no elevador. 

Com o avanço do home office, das compras online e das redes sociais, muitos dos espaços de convivência cotidiana deixaram de existir. Algo que coloca em dúvida como podemos criar um sentimento comunitário se não nos encontramos mais em público.​​

 



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