PERSPECTIVA SEMANAL


Presidente do Fed adota discurso duro em Jackson Hole.

O presidente do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh surpreendeu o mercado ao adotar um tom rígido (hawkish) em sua primeira participação no simpósio de política monetária de Jackson Hole. A mudança de postura da autoridade provocou importantes ajustes no mercado financeiro e em nossas projeções.

Havia dúvidas se Warsh, normalmente avesso a falar com a imprensa e a oferecer o que chamamos de forward guidance (orientação futura sobre os próximos passos da política monetária), faria um discurso denso no evento ou se preferiria abordar temas menos polêmicos. No entanto, ele não apenas fez um pronunciamento longo, como também revelou aspectos fundamentais de sua função de reação.

O presidente do banco central norte-americano reiterou que o objetivo de estabilidade de preços do Fed será alcançado quando o deflator do PCE (índice de gastos com consumo pessoal) atingir a meta de 2%, e que a principal ferramenta para alcançar as metas de política monetária continua sendo a taxa básica de juros de curto prazo. Podem parecer obviedades, mas, na entrevista coletiva após a reunião de julho do FOMC (comitê de política monetária do Fed), ele havia feito declarações que pareciam questionar esses pilares.

As principais novidades do discurso surgiram na sua caracterização do momento atual da economia americana: crescimento robusto, mercado de trabalho condizente com o pleno emprego e inflação demasiadamente elevada. Os dados recentes de inflação, apesar de virem melhores do que as expectativas do mercado, não demonstraram, na visão de Warsh, uma melhora consistente na tendência da variação de preços. O presidente do Fed também afirmou que as condições financeiras não estão restritivas.

A fala foi interpretada como hawkish e fez a probabilidade precificada para uma alta de juros nos Estados Unidos na reunião do FOMC de setembro subir de 35% para 65%. Ainda avaliamos que os dados de inflação a serem divulgados nas próximas semanas virão condizentes com um nível anualizado em torno de 2,5%, o que deveria levar o comitê a manter a taxa de juros estável, confiando na convergência para 2% no médio prazo.

No entanto, a chance de Warsh e outros membros do comitê julgarem esse progresso insuficiente é considerável, dados os discursos recentes. Na nossa visão, a inflação norte-americana ficará estagnada em torno do patamar anualizado de 2,5% até o final do ano. Ao se deparar com esses dados, o FOMC deve promover uma elevação de 25 pb na taxa de juros, para 3,75% a.a., na última reunião do ano, seguida de um novo ajuste no início de 2027.

Destaques da semana

Brasil

No Brasil, o ponto alto da semana é a publicação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, na terça-feira. O calendário traz ainda a divulgação do Relatório Focus, dados da Balança Comercial, os índices de inflação IPC-S e IPC-FIPE, além da Produção Industrial Mensal (PIM).

•    Segunda-feira: Relatório Focus; Balança Comercial (4ª semana de agosto); Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) (4ª semana de agosto); Resultado Primário (julho).

•    Terça-feira: Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) (4ª semana de agosto); Produto Interno Bruto (PIB) (segundo trimestre de 2026).

•    Quarta-feira: Índice de Preços ao Consumidor da FIPE (IPC-FIPE) (4ª semana de agosto); Produção Industrial Mensal (PIM) (julho).

•    Quinta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

•    Sexta-feira: Balança Comercial (agosto).

Estados Unidos

A semana nos Estados Unidos terá como grande destaque a divulgação do relatório Payroll e da Taxa de Desemprego na sexta-feira. Ao longo dos dias, o mercado acompanhará de perto os dados do mercado de trabalho com o JOLTS e os Pedidos de Seguro Desemprego, os índices PMI de Manufatura e Serviços do ISM, além do Livro Bege do Fed e do discurso de Christopher Waller.

•    Segunda-feira (31): Índice de Atividade da Indústria do Fed Dallas (agosto).

•    Terça-feira (01): Pedidos de Máquinas (julho); Relatório de Ofertas de Emprego e Rotatividade do Trabalho (JOLTS) (julho); ISM Manufatura (agosto); Gastos com Construção (junho).

•    Quarta-feira (02): Pedidos de Bens Duráveis (julho); Livro Bege do Federal Reserve (FED); Relatório de Emprego Privado (ADP).

•    Quinta-feira (03): ISM Serviços (agosto); Custo Unitário do Trabalho (segundo trimestre); Pedidos de Seguro Desemprego Semanal; Discurso de Christopher Waller (Fed); Balança Comercial (julho).

•    Sexta-feira (04): Relatório de Emprego (Payroll) (agosto); Taxa de Desemprego (agosto).

Europa

Na Europa, as atenções estarão voltadas para os dados de inflação, com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) na Alemanha e na Zona do Euro, além do Índice de Preços ao Produtor (PPI). A agenda também inclui números de Vendas no Varejo, Taxa de Desemprego, relatórios PMI de Serviços e Manufatura do Reino Unido e da Zona do Euro, e discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE).

•    Segunda-feira: Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Alemanha (agosto).

•    Terça-feira: Discurso de Joachim Nagel, Boris Vujcic e Isabel Schnabel (BCE); Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da Zona do Euro (agosto); Vendas no Varejo da Alemanha (julho); Taxa de Desemprego da Zona do Euro (julho); S&P Global PMI Industrial da Zona do Euro (julho); S&P Global PMI Industrial do Reino Unido (agosto).

•    Quarta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

•    Quinta-feira: Índice de Preços ao Produtor (PPI) da Zona do Euro (julho); S&P Global PMI Serviços da Alemanha (agosto); S&P Global PMI Serviços da Zona do Euro (agosto); S&P Global PMI Serviços do Reino Unido (agosto).

•    Sexta-feira: Pedidos às Fábricas da Alemanha (julho); Vendas no Varejo da Zona do Euro (julho); Discurso de Philip Lane (BCE).

Ásia

A agenda asiática concentra seus principais indicadores nos primeiros dias da semana, destacando os índices PMI Industrial e de Serviços da China. No Japão, o mercado financeiro monitora as Vendas no Varejo, Produção Industrial, Confiança do Consumidor e as leituras dos índices PMI de Serviços.

 

•    Segunda-feira: PMI Industrial da China (agosto); Vendas no Varejo do Japão (julho); Produção Industrial do Japão (julho).

•    Terça-feira: S&P Global Japan PMI Industrial (agosto); Confiança do Consumidor do Japão (julho).

•    Quarta-feira: S&P Global PMI Serviços do Japão (agosto); RatingDog PMI de Serviços da China (julho).

•    Quinta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.

•    Sexta-feira: Sem indicadores relevantes previstos na agenda.



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