Previdência alertou para imprecisão de estimativa
de gastos no Orçamento de 2025.
Valor desconsidera
decisão do STF sobre salário-maternidade e regularização da fila; área
econômica espera novos bloqueios
O Ministério da Previdência Social alertou a equipe
econômica sobre a imprecisão das estimativas de gastos com benefícios incluídas
na avaliação do Orçamento do terceiro bimestre, dada a desconsideração de
fatores que vão pressionar a despesa na segunda metade do ano.
A pasta manteve a previsão de despesas com
benefícios previdenciários em R$ 976,9 bilhões, mesmo valor indicado no
relatório do segundo bimestre.
A conta total, incluindo sentenças judiciais e
compensações devidas a estados e municípios, também ficou praticamente
inalterada, em R$ 1,032 trilhão.
Sob esse cenário, o governo liberou R$ 20,6 bilhões que estavam travados no
Orçamento.
Segundo a Previdência, as estimativas não incluem
os impactos da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que isenta mulheres de carência (período mínimo de
contribuição) para receber o salário-maternidade. Tampouco consideram os
efeitos da redução da fila de espera do INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) sobre os gastos.
O avanço das revisões de benefícios, disse a pasta, pode
amenizar parte das pressões.
Ainda assim, técnicos da área econômica reconhecem
que a tendência é haver novos bloqueios de despesas livres (como custeio e
investimentos) para compensar a expansão dos gastos obrigatórios —que incluem
os gastos com Previdência.
"No presente momento, a imprecisão natural da
estimativa é agravada pelo fato da mesma ser realizada a partir de despesas
realizadas ao longo do primeiro semestre, sendo que o cenário das concessões e
cessações de benefícios para o segundo semestre deve ser bastante distinto e
incerto", diz nota técnica que subsidiou a avaliação bimestral, obtida
pela Folha por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).
Um integrante do governo afirma que tem havido
"evidentes oscilações" no ritmo de análises e concessões de
benefícios, o que prejudica as estimativas.
No ano passado, o Executivo
encerrou o período com um gasto previdenciário R$ 29,9 bilhões maior que o
previsto originalmente no Orçamento.
Neste ano, mesmo com as imprecisões, a
diferença já está em R$ 16,7 bilhões.
FOLHA DE SÃO PAULO