VENDAS PELA INTERNET


 Menos shopping, mais Shopee?

 Quando você quer comprar uma roupa nova, seu primeiro instinto é abrir o computador e pesquisar algumas lojas ou ir ao shopping mais próximo da sua casa?

Se escolheu a primeira opção, saiba que essa é a realidade de muitos brasileiros.

As visitas aos shoppings diminuíram no último ano. Entre 2019 (antes da pandemia) e 2025, houve uma queda mensal de 6,2%, segundo dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

No ano passado, a média de visitas foi de 471 milhões ao mês, ante os 476 milhões de 2024. Esse é o primeiro recuo desde a retomada de público pós-Covid-19.

Quem vai não gasta. O comércio também caiu. O faturamento nominal cresceu 4,2% no mesmo período, para R$ 200,9 bilhões. Porém, se descontarmos a inflação pelo IPCA, as vendas reais caíram 25%

E o que explica?

O endividamento e a inadimplência da população, além dos juros elevados, diminuem o consumo, segundo Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Dois em cada três brasileiros dizem ter dívidas financeiras, segundo pesquisa Datafolha. Os dados também mostram que 21% afirmam estar com parcelas atrasadas.

Enquanto isso…

Desde 2024, as vendas pela internet superam as realizadas pelos shoppings. No ano passado, esse comércio atingiu R$ 235,5 bilhões, uma alta de 15,3%. Em relação a 2019, o crescimento real foi de 88%.

Em tempos de orçamento apertado, o e-commerce ajuda o consumidor a pesquisar o melhor preço, sem precisar gastar com adicionais como transporte, estacionamento e lanches.

Os cinemas, uma das principais atrações dos shoppings, já não chamam mais o público de antes. Com a popularização dos serviços de streaming, ficou menos atrativo sair de casa para assistir a um lançamento nas telonas.

Em 2019, o número de espectadores atingiu 172,2 milhões, volume que recuou para 109,6 milhões no ano passado, queda de 36%, segundo dados da Ancine (Agência Nacional do Cinema). Cerca de 90% das salas de cinema estão em shoppings.

Qual é a solução?

A chave está em descobrir um novo modelo de negócio que atraia o público. Para especialistas e executivos do setor, a concorrência com as vendas online era esperada antes mesmo da pandemia, que só acelerou a mudança de hábitos do público.

Por enquanto, os locais procuram novas vocações, como a ampliação da área destinada à gastronomia, eventos e serviços, mas ainda sem resultados animadores.



FOLHA MERCADO
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