Por que CEOs de tecnologia de repente estão
culpando a IA por demissões em massa?
- Líderes do setor dizem que avanços permitem fazer mais com menos
pessoas
- Nas últimas semanas, gigantes como Google, Amazon e Meta anunciaram
ou sinalizaram planos de reduzir equipes
Demissões abrangentes em empresas de big tech se tornaram
uma tradição anual. A forma como executivos explicam essas
decisões, no entanto, mudou.
Saem de cena palavras de ordem como eficiência,
contratações excessivas e camadas demais de gestão. Agora, todas as explicações
partem da IA (inteligência artificial).
Nas
últimas semanas, gigantes como Google, Amazon e Meta, assim como empresas menores como
Pinterest e Atlassian, anunciaram ou sinalizaram planos de reduzir suas
equipes, apontando para avanços em IA que, segundo eles, permitem fazer mais
com menos pessoas.
"Acho que 2026 será o ano em que a IA começará
a mudar dramaticamente a maneira como trabalhamos", disse o chefe da
Meta, Mark Zuckerberg, em janeiro. Desde então, sua
empresa, proprietária de Facebook, Instagram e WhatsApp, cortou
centenas de pessoas - incluindo 700 apenas na semana passada.
A Meta, que planeja quase dobrar os gastos com IA
neste ano, ainda está contratando em "áreas prioritárias", disse um
porta-voz.
Mas mais demissões são esperadas nos próximos meses, enquanto um
congelamento de contratações está em vigor em muitas partes da empresa,
disseram duas pessoas da companhia à BBC.
Há outra forma pela qual a IA está impulsionando
demissões —e isso não tem nada a ver com a capacidade técnica de ferramentas de
código ou chatbots.
Amazon, Meta, Google e Microsoft planejam coletivamente
investir US$ 650 bilhões (cerca de R$ 3,4 trilhões) em IA no próximo ano.
Enquanto executivos procuram maneiras de amortecer
o choque desses custos entre investidores, muitos estão mirando na folha de
pagamento —tipicamente a maior despesa das empresas de tecnologia.
FOLHA DE SÃO PAULO