Longevidade muda dinâmica das famílias, e avós
assumem mais cuidados e gastos com netos
- Proporção de brasileiros acima de 50 anos que cuida de alguém
saltou de 37% para 57% entre 2018 e 2026
- Quatro em cada dez apoiam financeiramente os filhos, muitas vezes
para a criação dos netos, aponta pesquisa
Segundo
o estudo Tsunami Prateado, da data8, empresa de pesquisa e tendências sobre
comportamento e consumo do público 50+, a proporção de brasileiros acima dos 50
anos que cuida de alguém saltou de 37% para 57% entre 2018 e 2026.
Do total, 4 em cada 10 apoiam financeiramente os
filhos (36%) —muitas vezes para a criação dos netos— e 2 em cada 10 (21%) dizem
ter como maior medo ver filhos ou netos mal sucedidos na profissão.
O Tsunami Prateado estuda a longevidade no Brasil e os novos comportamentos
dos brasileiros desde 2018. Na edição de 2026, ouviu 3.298
brasileiros em todo o país entre os dias 8 e 12 de fevereiro e realizou
pesquisa qualitativa com 42 famílias no Sudeste. A margem de erro é de 1,7
ponto percentual.
O levantamento mostra justamente uma mudança na
dinâmica familiar, com os mais velhos sendo os cuidadores —inclusive
financeiramente— por mais tempo, em vez de passarem a ser cuidados.
"Aqui no Brasil a gente tem famílias muito
aglutinadas, especialmente nas classes mais baixas, e existe um grande desafio
que, com esse envelhecimento populacional, as famílias vão ficando cada vez
mais encolhidas", diz Lívia Hollerbach, coordenadora da pesquisa.
O psicólogo Alisson Guiotto, mestre em ciências
do envelhecimento e professor da
Universidade Cruzeiro do Sul, afirma que muitos avós hoje assumem funções
permanentes no cuidado dos netos e até no orçamento doméstico por conta das
mudanças na dinâmica social.
"Isso ocorre por diversos fatores, como o
aumento do custo de vida, as longas jornadas de trabalho dos pais, o
crescimento das famílias monoparentais —com apenas uma mãe ou um pai—, as
separações conjugais e as dificuldades econômicas", afirma.
FOLHA DE SÃO PAULO