Brasileiro acima dos 50 que mora em periferia vive
mais, trabalha por mais tempo e sustenta economias locais
- Estudo de empresa voltada à pesquisa de longevidade mapeou
comportamento das classes C, D e E
- Maioria segue trabalhando por conta própria, cuida de filhos e
netos, e movimenta R$ 180 bilhões em comunidades
O brasileiro acima
dos 50 anos das classes C, D e E está vivendo mais e se
mantendo por mais tempo no mercado de
trabalho, nem sempre por opção, mas por necessidade. Apesar de ter
renda baixa é, em muitos lares, o provedor da família e sustenta
economias locais em comunidades das periferias.
Esses
são os principais resultados do estudo "Velhices Periféricas: o
descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar",
realizado pela data8, empresa de pesquisa e inteligência de mercado voltada
para o comportamento do consumidor.
Para
chegar a esse diagnóstico, a equipe do data8 reuniu dados coletados em
pesquisas quantitativas e qualitativas sobre comportamento, consumo, saúde,
trabalho, cuidado e tecnologia entre brasileiros 50+ das classes C, D e E, e
aprofundou o levantamento com entrevistas presenciais na Grande SP.
A aposentadoria é a principal fonte de
renda para apenas 3 em cada 10 cidadãos acima de 50 anos nessas classes
sociais, diz o estudo. O percentual dos que têm o benefício previdenciário
—seja do INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) ou do setor público— como a maior renda na casa é de 34%. Os demais
trabalham.
A renda
média mensal é baixa, de cerca de R$ 1.600 entre as classes C e D —contra R$
7.800 nas classes A e B—, mas eles movimentam cerca de R$ 180 bilhões nas
comunidades em que vivem. "Os dados apontam para uma geração que mantém
a economia girando enquanto envelhece com menos saúde,
renda e proteção social", diz o estudo.
FOLHA DE SÃO PAULO