Racionamento de água deixa comunidade de São Paulo
mais vulnerável à dengue
- OUTRO LADO: Secretaria Municipal da Saúde diz que realiza ações
contínuas e que distribuirá telas para caixas d'água
- Sabesp afirma que problema de abastecimento foi resolvido após
reparo em equipamento
"Anos atrás, em 2014 e 2015, já vivemos essa
situação de uma epidemia de dengue relacionada à situação hídrica", diz
Tamara Nunes de Lima-Camara, professora associada ao Departamento de
Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP.
Em agosto de 2014, 1 a cada
20 paulistas era submetido a racionamento de água e convivia com interrupções
no abastecimento que duravam de quatro horas a dois dias seguidos.
"A falta d'água é um problema grave. As
pessoas tentarão sobreviver da melhor forma possível nesses momentos de crise,
mas precisam ter a consciência de fazer a vedação correta desses
recipientes", afirma a especialista.
Baldes, galões, bacias, tanques e cisternas devem
permanecer totalmente fechados ou com tela. Quando vazios, o ideal é mantê-los
virados para baixo, de preferência em local coberto.
Procurada, a Secretaria Municipal da Saúde diz que
realiza ações contínuas de combate à dengue na região, que incluem
orientação e controle do Aedes aegypti, visitas domiciliares,
inspeção de recipientes, eliminação de criadouros e atividades educativas.
Segundo a pasta, as equipes de vigilância do
território vão distribuir telas para caixa d'água como medida preventiva
prevista nos protocolos oficiais de controle vetorial.
As telas também podem
ser utilizadas em recipientes de armazenamento de água em geral, como baldes,
galões, tonéis e estruturas similares, especialmente em contextos de
racionamento hídrico.
O ciclo de vida do mosquito possui quatro fases:
ovo, larva, pupa e adulto. Esse ciclo leva, em média, de sete a dez dias, a
depender das condições ambientais, como temperatura e disponibilidade de
matéria orgânica na água.
Somente a fêmea do Aedes aegypti na forma adulta tem a
capacidade de picar e transmitir doenças. Ela se alimenta de sangue para
produzir seus ovos. Num ciclo reprodutivo —que pode ocorrer a cada três ou
quatro dias—, ela deposita em média 100 ovos.
Para Tamara Nunes, combater o Aedes aegypti é
responsabilidade dos governos e da sociedade.
FOLHA DE SÃO PAULO