PERSPECTIVA SEMANAL


Choque de estreito de Ormuz deverá ter impactos duradouros e pode afetar decisões de bancos centrais.

A guerra no Oriente Médio, envolvendo o Irã e outros países, já ultrapassa 30 dias. Nesse período, o Estreito de Ormuz vem enfrentando restrições no fluxo de embarcações. 

Mesmo com alguma flexibilização recente, as limitações à navegação já geraram efeitos que tendem a persistir por tempo indeterminado, ainda que o conflito se encerre no curto prazo.

O bloqueio do Estreito de Ormuz reduziu a oferta global de petróleo. Segundo nossos cálculos, cerca de 14 milhões de barris por dia deixaram de ser comercializados, mesmo considerando redirecionamentos via oleodutos. 

Esse cenário levou ao fechamento de poços, interrompendo a produção de aproximadamente 11 milhões de barris. Ainda que a guerra termine rapidamente, a retomada da produção não será imediata e deve levar ao menos algumas semanas.

Além do petróleo, outras commodities foram afetadas, em alguns casos com impactos ainda mais duradouros. 

O Irã atacou a base produtora de gás natural de Ras Laffan, no Catar, destruindo cerca de um sexto de sua capacidade, cuja reconstrução deve levar de 3 a 5 anos. 

Subprodutos como o gás hélio, de difícil estocagem, devem enfrentar gargalos de oferta de semanas ou meses.

O choque nos preços ainda não foi plenamente absorvido globalmente. 

Algumas regiões ficaram inicialmente mais protegidas por ainda receberem cargas embarcadas antes do conflito – a rota entre o Golfo Pérsico e a Europa, por exemplo, leva cerca de 30 dias. Os impactos foram sentidos primeiro na Ásia, mas começam a se espalhar. 

O petróleo tipo Dubai (mercado asiático) atingiu US$ 140 por barril no fim de março, enquanto o tipo Brent (mercado europeu) chegou a US$ 120 por barril, e o tipo WTI operou a pouco acima de US$ 100.

A persistência desse choque altera a forma como bancos centrais devem reagir. Autoridades monetárias de países desenvolvidos tendem a adotar uma postura mais hawkish, diante do risco de efeitos prolongados sobre as expectativas de inflação. 

O Banco Central Europeu (BCE), por exemplo, inicialmente mais neutro, já vem ajustando o discurso ao observar impactos nas expectativas inflacionárias e nas negociações salariais.

Destaques da semana

Brasil

No cenário doméstico, a atenção se volta para a divulgação da inflação oficial (IPCA), além de indicadores do setor de serviços e resultados da balança comercial e indústria automotiva.

•    Segunda-feira: Relatório Focus; S&P Global PMI Serviços (março).

•    Terça-feira: Balança Comercial (março).

•    Quarta-feira: IGP-DI (março); Anfavea (março).

•    Quinta-feira: FIPE CPI (1ª semana de abril); IPC-S (1ª semana de abril).

•    Sexta-feira: IPCA (março).

Estados Unidos

A agenda norte-americana traz a divulgação da Ata do FOMC, de dados importantes de inflação e de crescimento econômico, além de indicadores de atividade do setor de serviços.

•    Segunda-feira (6): ISM Serviços (março).

•    Terça-feira (7): ADP Semanal; Pedidos de Bens Duráveis (prévia de fevereiro); FED NY - Expectativas de 1 ano (março); discurso de Austan Goolsbee (dirigente do Federal Reserve); Crédito ao Consumidor (fevereiro).

•    Quarta-feira (8): Ata do FOMC.

•    Quinta-feira (9): Renda e Consumo Pessoal (fevereiro); Deflator PCE (fevereiro); Pedidos de Seguro Desemprego Semanal; PIB (4º trimestre T); Estoques do Atacado (final de fevereiro).

•    Sexta-feira (10): CPI (março); Encomendas à Indústria (prévia de abril); Confiança do consumidor da Universidade de Michigan (fevereiro); Pedidos de Bens Duráveis (final de fevereiro); Orçamento Federal (março).

Europa

Na Europa, o calendário apresenta uma série de Índices de Gerentes de Compras (PMIs) dos setores de serviços e construção, além de dados de vendas no varejo, inflação e produção industrial.

•    Terça-feira: S&P Global PMI Serviços da Alemanha (março); S&P Global PMI Serviços da Zona do Euro (março); S&P Global PMI Serviços do Reino Unido (março).

•    Quarta-feira: Encomendas à Indústria da Alemanha (fevereiro); S&P Global PMI Construção da Alemanha (março); S&P Global PMI Construção do Reino Unido (março); Vendas no Varejo da Zona do Euro (fevereiro); PPI da Zona do Euro (fevereiro).

•    Quinta-feira: Produção Industrial da Alemanha (fevereiro); discurso de Olaf Sleijpen (dirigente do Banco Central Europeu).

•    Sexta-feira: CPI da Alemanha (final de março); discurso de Luis de Guindos (BCE).

Ásia

A semana na Ásia reúne indicadores antecedentes e de confiança no Japão, acompanhados de índices de inflação ao produtor e consumidor na China.

•    Terça-feira: Indicador Antecedente do Japão (prévia de fevereiro).

•    Quinta-feira: Confiança do Consumidor do Japão (março); Pedidos de Máquinas do Japão (prévia de março).

•    Sexta-feira: PPI do Japão (março); PPI da China (março); CPI da China (março).

 



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