Cadê a agência que estava aqui?
Imagine o cenário: o seu banco
envia uma notificação sobre um problema no cartão de crédito.
O primeiro
instinto de muitas pessoas (inclusive o meu) é tentar resolver a situação pelo
aplicativo e, se necessário, fazer uma ligação.
Se você prefere resolver
assuntos à moda antiga, saiba que esses dias estão ficando para trás. No
Brasil, o número de agências bancárias caiu 37% em dez anos, o que equivale a
pouco mais de 14 mil.
O que aconteceu?
O fechamento se
intensificou com a pandemia e após o lançamento do Pix. Bancos passaram a
investir mais no atendimento remoto de gerentes.
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75% das transações bancárias foram feitas via celular em 2024.
Adaptação… É a palavra-chave
para definir essa mudança. Os consumidores, de modo geral, preferem resolver
assuntos bancários utilizando os canais digitais, e por isso as instituições
financeiras se adequam aos novos tempos.
"Atualmente, praticamente
todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica", diz a
Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
A demanda pelo aplicativo fez os
bancos aumentarem os investimentos em tecnologia e acelerarem o fechamento dos
postos físicos. Somando aluguel, segurança, funcionários e manutenção, a
maioria das agências não se paga.
O ambiente físico não morreu. As
instituições financeiras preferem abrir pontos de atendimento mais
especializados, para atrair a parcela da população que tem investimentos.
Sim, mas… A decisão de fechar as
agências bancárias deixa uma parcela da população sem atendimento.
Desde 2015, 638 municípios
ficaram sem agência bancária, atingindo 6,9 milhões de pessoas, segundo
cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos).
São 2.649 municípios sem esses locais, o que afeta 9% dos
brasileiros (19,7 milhões).
Quem são os afetados?
Sobretudo
a população idosa e periférica, explica Rosângela Vieira, economista do Dieese.
Há indivíduos que, além de não
possuírem conhecimento para realizar operações digitais, não têm um pacote de
dados de internet que dê conta das transações pelo aplicativo, diz o presidente
do Sindicato dos Bancários do Ceará, José Eduardo Rodrigues.
FOLHA MERCADO