RESTRIÇÃO DE FERTILIZANTES


A China está restringindo as exportações de fertilizantes.    A medida serve para manter baixos os preços para os agricultores locais, priorizando a segurança alimentar do país. 

A substância é essencial para o crescimento de plantas e para que as colheitas rendam mais. 

O problema: a guerra do Irã interrompeu quase por completo a passagem de navios pelo estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, plástico, carnes, grãos e —adivinhe,  fertilizantes. Com a navegação dificultada, pouquíssimos produtos chegam ao destino final. 

Segundo um documento da área técnica do Ministério da Agricultura, o fechamento do estreito levou a uma "disparada do custo de navios-tanque e de LNG (gás natural liquefeito, na sigla em inglês)". 

O gás natural é um insumo importante para a produção de amônia e, por consequência, da ureia, fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo. 

  • Cerca de 35% das exportações globais de ureia passam por essa via navegável, segundo dados do grupo CRU.
     
  • Os preços internacionais do composto nitrogenado aumentaram cerca de 40% em relação aos níveis anteriores à guerra. 

A restrição chinesa… Piora ainda mais esse cenário. O país está entre os maiores exportadores de fertilizantes, com embarques avaliados em mais de US$ 13 bilhões (cerca de R$ 68 bi) no ano passado. 

A decisão pode impactar o envio de 40 milhões de toneladas do produto, de acordo com estimativa da Reuters.

E o que o Brasil tem a ver com isso? Cerca de 85% dos fertilizantes usados por aqui vêm de fora. O país é o quarto maior consumidor global e o principal importador. E a China —adivinhe também— é um dos grandes fornecedores do insumo.

  • "Há alto risco real de um déficit de volume estimado entre 1 e 3 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados em 2026, suficiente para comprometer a produtividade das safras 2026/2027", afirma a nota técnica do ministério.


E agora? O governo federal tenta reduzir essa dependência. O quadro, porém, não é animador no curto prazo, com poucas alternativas ao produto importado

 




FOLHA MERCADO
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