Bruno Dantas critica 'infantilização do gestor
público' e pede práticas institucionais de negociação.
- Em palestra na PUC-SP, ministro do TCU disse que o país precisa
abandonar a lógica punitiva
- Ele
criticou a importação de instrumentos jurídicos estrangeiros, como acordos
de delação e leniência
Em
cerimônia na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo),
o ministro Bruno Dantas, do TCU (Tribunal de Contas da União), defendeu que a
administração pública no Brasil precisa adotar práticas institucionais de
negociação.
Segundo ele, o país deve abandonar a lógica punitiva. Ele afirma
existir uma "criminalização do diálogo".
Ao
receber medalha do mérito acadêmico na universidade na última segunda-feira
(6), ele disse que qualquer contato entre autoridades públicas e agentes
privados passou a ser tratado com suspeita, como se a conversa em si fosse
indício de irregularidade em uma "infantilização do gestor público."
"A expressão não é casual. Infantilizar é
tratar como incapaz quem deveria ser tratado como responsável. É subtrair do
administrador a margem de discricionariedade legítima que todo ato de gestão
comporta, substituindo-a por uma tutela sufocante que presume, antes de
qualquer apuração, a má-fé ou a incompetência. O gestor infantilizado não
decide", disse Dantas.
Segundo o ministro, esse quadro é alimentado por um
incentivo à omissão, em que gestores ineficientes chegam a receber punições
iguais ou mais severas dos que cometeram irregularidades.
Ele também criticou a
importação de instrumentos jurídicos estrangeiros, como acordos de delação e
leniência, sem adaptação ao sistema brasileiro.
"Nos últimos anos, vivemos no Brasil aquilo
que costumo denominar uma criminalização do diálogo republicano.
Uma nuvem
difusa de suspeitas, alimentada por certo patrulhamento ideológico e por
interpretações policialescas de fatos corriqueiros da vida
administrativa", disse.
FOLHA DE SÃO PAULO