Guerra lá, efeitos aqui
A notícia não é boa para os consumidores: já é
possível sentir os efeitos da guerra do Irã nos preços por aqui.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo), considerado a inflação oficial do Brasil, acelerou a 0,88%
em março, maior crescimento neste mês em quatro anos.
↳ A taxa ficou acima do intervalo projetado
pelo mercado financeiro, que ia de 0,66% a 0,85%.
O que explica? Transportes (1,64%) e
alimentação e bebidas (1,56%) puxaram a alta. Eles correspondem a 76% do
índice.
O primeiro grupo inclui os combustíveis, e o
impacto mais relevante veio da gasolina, que subiu 4,59%.
O cenário reflete, em parte, os aumentos
promovidos por importadores privados. A Petrobras também subiu o valor do
diesel nas refinarias, mas o reajuste foi atenuado pela isenção de impostos
federais.
O diesel subiu 13,9% no mês. Foi o maior salto
em mais de duas décadas, desde novembro de 2002. Ele pesa menos do que a
gasolina na composição do índice, mas seu encarecimento pode gerar repasses
para outros bens e serviços, como os alimentos.
Tome nota: a produção brasileira é escoada, em
grande parte, por rodovias. Como os caminhões utilizam óleo diesel, o frete de
transporte fica mais caro e a alta é repassada para os preços da comida.
Falando neles… O segundo grupo inclui os
valores referentes à alimentação dentro e fora de casa. No domicílio, a alta
foi de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%). Leite longa vida (11,74%),
tomate (20,31%) e cebola (17,25%) registraram maior variação.
O IBGE associou o cenário a restrições de
oferta de mercadorias.
O custo de comer fora de casa, em bares e
restaurantes, subiu 0,61% no mês passado. Foi a maior alta desde julho de 2025
(0,87%).
Para o futuro… Analistas acham difícil um
corte na taxa básica de juros superior a 0,25 p.p na próxima reunião do Copom .
O colegiado do BC voltará a se reunir em 28 e 29 de abril para definir o
patamar da Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
Ainda sobre a guerra: Trump diz que vai
bloquear o estreito de Hormuz hoje a partir das 11h.
FOLHA MERCADO