No pedido de recuperação judicial protocolado pela Casas Bahia, a
empresa citou a Selic como uma grande culpada pela desorganização de sua
estrutura financeira.
• Em 2019, a empresa se endividou para
investir em tecnologia, logística e lojas digitais.
• Desde então, a taxa de juros saltou de
2% para 15% ao ano, o que foi uma facada para o caixa da companhia.
E essa não é uma situação isolada.
Diversas varejistas sofrem com os juros a dois dígitos, além de outros
fatores que dificultam suas operações.
Antes de explicar a situação da Casas Bahia, vamos mergulhar nos
problemas do setor.
1️⃣ A Selic
Empresas do segmento precisam tomar empréstimos para oferecer crédito
aos consumidores e para financiar suas operações. Pagar as taxas de dívida fica
caro, com a Selic a 14% ao ano.
2️⃣ O endividamento
Os brasileiros atingiram níveis recordes de endividamento neste ano.
Parte da renda das famílias é usada para honrar esse pagamento, e o peso
da dívida faz a população pensar duas vezes antes de comprar produtos mais
caros, como eletrodomésticos.
• 82% das famílias registraram dívidas em
julho, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo.
• 29% dos ganhos são direcionados para
quitar compromissos financeiros, o maior percentual em pelo menos 20 anos,
mostram dados do Banco Central.
Por que chegamos a esse patamar? O custo elevado com itens básicos, como
alimentação e moradia, encurta o dinheiro. Muitas pessoas recorrem ao cartão de
crédito, ao parcelamento e ao empréstimo para pagar as contas.
Algumas modalidades, como o crédito rotativo, possuem taxas altíssimas
de juros.
A média entre bancos é de 14,8% ao mês.
Como é cada vez mais difícil quitar os compromissos, as famílias deixam
de pagá-los.
3️⃣ A concorrência
Aqui, estamos falando principalmente da competição com plataformas de
comércio eletrônico.
Varejistas como a Casas Bahia e a Tok&Stok, por exemplo, ainda são
muito dependentes de lojas físicas. Os consumidores buscam, cada vez mais,
comprar online. Para as companhias, é caro manter as unidades abertas em um
momento de menor movimento.
Quem são as principais afetadas? A Americanas deu início à onda de
recuperações judiciais, em 2023. Desde então, pelo menos oito companhias do
setor recorreram ao instrumento. Juntas, reestruturam R$ 68 bilhões em dívidas.
… e o tamanho do buraco da Casas Bahia
R$ 17,3 bilhões. Esse é o tamanho da dívida do Grupo Casas Bahia, que
entrou com um pedido de recuperação judicial na segunda (17).
• 33% foi a queda das ações da companhia
ontem. Os papéis agora valem R$ 0,44.
Nove empresas —como o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis
Bartira— mais a holding são alvo da medida. A rede pede o congelamento das
cobranças de dívidas por 180 dias e que o dinheiro das vendas continue entrando
normalmente no caixa.
FOLHA MERCADO