Cinco coisas que os investidores devem ponderar
sobre criptomoedas
Apesar de riscos e
conflitos de interesse, a tecnologia pode ser útil como ferramenta de
diversificação geopolítica e financeira
Há uma década, meia dúzia de inconformistas se
reuniram em uma casa na Suíça para lançar o Ethereum —uma parte
do ecossistema cripto que atua como uma plataforma de computação distribuída,
usando o token ether.
Inicialmente, parecia fadado ao fracasso: a tribo
fundadora implodiu após amargas disputas internas, o Ethereum sofreu um enorme
ataque cibernético, escândalos eclodiram e, como o bitcoin, o preço do ether tornou-se loucamente
volátil, subindo do nada para US$ 5.000, antes de colapsar.
Mas esta semana algo impressionante ocorreu:
enquanto a Casa Branca emitia um relatório sobre a "Era de Ouro das
Criptomoedas", a bolsa Nasdaq celebrava o décimo aniversário do Ethereum.
"O Ethereum demonstrou ser a definição de antifrágil", entusiasmou-se
Joe Lubin, um ex-habitante daquela casa fundadora, que apresenta a plataforma
como "uma camada confiável de confiança para nosso mundo digital em rápido
crescimento".
A última década revelou pelo menos cinco
pontos-chave sobre criptomoedas que os investidores deveriam ponderar.
- Primeiro, e mais
obviamente, os ativos digitais não são homogêneos (mesmo que os detratores
os odeiem todos). O Bitcoin é um fenômeno unidimensional que os fãs
comparam ao "ouro digital", enquanto o Ethereum é uma
infraestrutura multifacetada. Memecoins (como $TRUMP) flutuam
apenas em hype louco, mas stablecoins supostamente são
lastreadas por ativos, como títulos do Tesouro. Isso importa.
- Segundo, precisamos ir além
do pensamento preto e branco com as criptomoedas. Aqueles que declararam
há uma década que as finanças distribuídas transformariam o mundo estavam
errados —até agora, os ativos digitais ainda são muito desajeitados, caros
e consumidores de energia para substituir a maioria das opções de
pagamento convencionais, e muito voláteis para serem um armazenamento
confiável de valor. A criminalidade tem sido abundante. Basta pensar na
saga de Sam Bankman-Fried, ou na censura regulatória da stablecoin tether.
- Terceiro, as finanças convencionais estão entrando em
cena. Isso é irônico, dado que os primeiros entusiastas das criptomoedas
prometeram que as finanças distribuídas derrubariam os incumbentes. Mas
isso está impulsionando o boom atual. Considere o fato de que um alto
executivo da BlackRock acabou de se juntar a um grupo de investimento em
Ethereum; ou que gestores de ativos tradicionais como Fidelity e BlackRock
estão lançando fundos de criptomoedas; ou como investidores convencionais
estão cada vez mais usando criptomoedas como uma jogada de diversificação,
enquanto bancos como JPMorgan estão executando seus próprios blockchains e
lançando stablecoins.
- Quarto, a geopolítica das criptomoedas está mudando —rapidamente.
Na última década, a maioria das inovações ocorreu fora dos EUA, em lugares
como Hong Kong. Mas esta semana, Paul Atkins, presidente da Securities and
Exchange Commission, disse que quer trazê-las para dentro do país. Por
quê? Uma razão é que a própria família Trump está investindo em
criptomoedas. Outra é a política suja: grupos de criptomoedas foram
grandes doadores para Trump em 2024.
- Finalmente, os efeitos secundários das criptomoedas podem acabar
sendo ainda mais impressionantes do que os próprios ativos digitais. Pois
o que a inovação faz é nos permitir imaginar alternativas ao status quo
financeiro e geopolítico —por exemplo, questionando se precisamos depender
do sistema de pagamento Swift ou da dominância do dólar.
FINANCIAL TIMES