CHINA | EDUCAÇÃO


China reorganiza ensino superior para tentar se proteger do choque da IA.

  • Quem tem diploma corre mais risco de perder emprego; Pequim corta áreas saturadas e abre espaço para outras
  • Ao mesmo tempo, tribunais barram demissões provocadas por IA e autoridades prometem mapear vagas fechadas

A segunda maior economia do mundo formou uma geração inteira sob a promessa de que o diploma a protegeria. Agora esses formados estão sendo enviados para a faculdade técnica.

O cenário que descrevo na abertura é simplista, mas condensa um desconforto que percorre o mercado de trabalho chinês e ajudou a alimentar nos últimos dias a notícia de que a China teria extinguido 12 mil cursos universitários para se preparar para a inteligência artificial.

Há uma imprecisão na forma como a notícia circulou. Foram, na verdade, 12.200 pontos de oferta revogados ou suspensos entre 2021 e 2025, contra 10.200 abertos no mesmo período. 

Como um curso oferecido por duzentas instituições conta duzentas vezes, o número fala menos de demolição e mais de reorganização. Mas não muda o fato de que, depois de décadas erguendo a educação superior como pilar do desenvolvimento, os chineses agora enfrentarão um choque similar ao qual o mundo estará exposto.

Ao fechar tais cursos, o Ministério da Educação disse que alinharia parte das graduações ao 14º Plano Quinquenal, cortando áreas saturadas como marketing e tradução e abrindo espaço para robótica, biomanufatura e IA comercial. 

Ao mesmo tempo, prometeu requalificar esses jovens vindos de profissões que desaparecerão com cursos de reciclagem voltados a áreas mais técnicas.

Curioso chegarmos a este ponto, porque não faz muito previa-se o oposto. Em 2018, quando a IA generativa mal aparecia no debate público, a PwC calculou que a automação deslocaria 26% dos empregos chineses até 2037, mas projetou que o saldo seria positivo (297 milhões de vagas criadas contra 204 milhões perdidas).



FOLHA DE SÃO PAULO
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