Pagam mais de US$ 1 trilhão em juros da dívida
pública sob Trump
- Governo de Donald Trump faz dívida total ultrapassar US$ 40
trilhões pela primeira vez na história
- Departamento do Orçamento prevê que relação dívida/PIB vai superar
106% em 2030
O
peso dos juros da dívida do governo dos Estados Unidos atingiu um recorde no ano fiscal de 2026, consumindo uma
parcela cada vez maior da receita federal e elevando o risco de uma disparada
do endividamento que pode deixar o país mais vulnerável a choques econômicos.
No
acumulado de 12 meses encerrado em setembro, os custos líquidos com juros
somaram US$ 1,05 trilhão (R$ 5,33 trilhões), alta de mais de 8% em relação aos
US$ 970 bilhões do ano fiscal de 2025, segundo dados divulgados pelo
Departamento do Tesouro nessa sexta-feira (16).
O
grupo de pesquisa Peter G. Peterson Foundation estima que esses custos tenham
alcançado 3,2% do PIB (Produto Interno Bruto), superando o
recorde anterior, registrado em 1991. Os dados do PIB do último trimestre serão
divulgados ainda este mês.
O aumento reflete tanto o volume muito maior de dívida sobre o qual é
preciso pagar juros —uma das principais medidas supera US$ 32 trilhões (R$
162,34 trilhões), cerca de US$ 10 trilhões a mais do que há apenas cinco anos—
quanto as taxas de juros bem mais elevadas.
A taxa média paga pelo governo sobre os títulos negociáveis do Tesouro era de 3,52% no fim de
setembro, mais que o dobro dos 1,47% de cinco anos antes.
Para piorar, os rendimentos atuais estão ainda mais
altos: o indicador do índice de títulos do Tesouro dos EUA da Bloomberg está
agora em torno de 5%.
A alta das taxas levou o secretário do Tesouro dos
EUA, Scott Bessent, a adotar medidas extraordinárias para conter o movimento,
embora economistas argumentem que o país ainda está longe de uma crise. A
demanda nos leilões de títulos tem se mostrado sólida, e os custos mais altos
de financiamento não estão restringindo o fluxo de crédito.
FOLHA DE SAO PAULO