Na contramão do mercado, comércio varejista elimina
46 mil vagas em 2026
- Lojas de roupas, calçados e supermercados concentram demissões;
setor deve terminar o ano no zero a zero entre desligamentos e
contratações
- Apostas online, ecommerce e crédito caro reduzem consumo e
pressionam vendas
O comércio varejista anda na contramão do mercado
de trabalho e eliminou 45,9 mil vagas com carteira assinada entre janeiro e
junho, o maior corte para um primeiro semestre desde a pandemia.
O mercado em
geral criou 921 mil empregos no período, , entre admissões e demissões, segundo
o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Para especialistas, o movimento é influenciado por
uma tempestade perfeita que se sobrepõe à taxa de desemprego nas mínimas
históricas: juros altos, economia perdendo força, explosão das bets (que
comprometem parte da renda) e a migração do consumidor para o ecommerce.
A tendência é que
o desempenho do setor continue fraco nos próximos meses.
De um lado, o
cenário macroeconômico adverso segue pressionando margens e vendas.
De outro, o
mercado ainda vai sentir o impacto da demissão de cerca de 3.000 funcionários pela Casas Bahia, que pediu recuperação judicial no
último domingo (16) e anunciou o fechamento de 298 lojas.
No primeiro
semestre, o comércio varejista, que responde por 68% do estoque de vagas do
comércio como um todo, só gerou vagas em três meses: em março, maio e junho.
No
primeiro semestre do ano passado, criou 23,7 mil vagas, de acordo com os dados
do Caged.
Quando
se olha para os números por grandes setores, o comércio foi o único que
eliminou vagas no primeiro semestre (-3.500), contra uma criação de vagas de
571,9 mil em serviços, 168,9 mil na construção, 143,4 mil na indústria e 40,8
mil na agropecuária.
FOLHA DE SAO PAULO