Governos
têm dificuldade para conter os danos das redes sociais.
Acordo de
até US$ 18 bilhões amplia a pressão sobre a Meta, enquanto EUA e outros países
endurecem regras diante de acusações de que redes sociais incentivam o uso
compulsivo e ampliam riscos à saúde mental de jovens.
- Crescimento
das redes superou a regulação
Governos em todo o mundo
passaram a última década endurecendo regras para o setor, mas
os formuladores de políticas públicas têm dificuldade para acompanhar a rápida
evolução da tecnologia.
Diversos
estudos importantes relacionam o uso de redes sociais por adolescentes ao
aumento da ansiedade, da depressão e da insatisfação com a própria
imagem corporal.
Ao mesmo
tempo, documentos internos da Meta divulgados em 2021 indicaram que
pesquisadores da empresa haviam identificado ligações entre o uso do Instagram e preocupações com imagem
corporal e saúde mental entre algumas adolescentes.
Segundo a
empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, adolescentes americanos
passaram cerca de 90 minutos por dia no TikTok em 2025. Testes realizados por
organizações como a Anistia Internacional em 2023 mostraram que o algoritmo da
plataforma pode recomendar vídeos relacionados à depressão e à automutilação
para usuários que interagem com conteúdo sobre saúde mental.
- EUA
rumo a regras mais rígidas de proteção infantil
Após anos
de impasse, cresce nos Estados Unidos o apoio bipartidário a regras mais duras
para proteger crianças dos danos associados às redes sociais por meio da Lei de
Segurança Online para Crianças (Kids Online Safety Act, ou Kosa).
As
propostas incluem configurações de segurança mais rigorosas por
padrão para menores de idade e darão aos pais mais ferramentas
para controlar as contas de seus filhos.
No Brasil,
o debate sobre os efeitos das redes sociais também vem ganhando
força.
Em 2025, o governo federal sancionou o ECA Digital,
que define mais responsabilidades das plataformas na proteção de crianças
adolescentes de conteúdos impróprios.
Ao mesmo
tempo, o Supremo Tribunal Federal
(STF) votou a favor de uma interpretação mais incisiva do
Marco Civil da Internet, em vigor desde 2014, sobre o dever de cuidado das
redes sociais em relação ao conteúdo que nelas circula e decidiu por uma
maior responsabilização das plataformas.
G1