Ouro supera títulos do Tesouro dos EUA como 'porto
seguro' dos BCs no mundo, diz BCE.
- Metal representa 27% das reservas e títulos caíram para 22% no
final do ano passado
- Tendência começou em 2022 com a guerra na Ucrânia e deve ter
aumentado neste ano com o conflito no Irã
O ouro ultrapassou os títulos do governo dos EUA
como o principal ativo de reserva do mundo após anos de compras incessantes por
bancos centrais e uma alta histórica que fez os preços quase dobrarem nos
últimos dois anos.
O metal precioso representou 27% de todos os ativos
de reserva dos bancos centrais em todo o mundo no final de 2025, ante 20% um
ano antes, de acordo com um relatório publicado pelo BCE (Banco Central
Europeu) nesta terça-feira (2). Já os títulos do Tesouro americano caíram para
22%, ante 25% no mesmo período de 2024.
A participação dos ativos de reserva denominados em
euros permaneceu inalterada em 15%.
Esses esforços passaram a ser acelerados desde
2022, quando Washington usou sanções para congelar as reservas em dólar da
Rússia após a invasão em larga escala da Ucrânia.
"As tensões geopolíticas continuam
impulsionando a forte demanda dos bancos centrais por ouro", avaliou a
presidente do BCE, Christine Lagarde, no relatório desta terça-feira.
Os
ativos denominados em dólar como um todo ainda compõem a maior fatia das
reservas, com 42%, mostraram os dados do BCE.
Os maiores acumuladores de reservas de ouro desde
2022 foram China, Polônia, Turquia e Índia, mostrou o relatório.
No entanto, a empresa de stablecoin Tether se
tornou a maior compradora individual em 2025, adquirindo mais de 100 toneladas
de ouro.
O relatório do BCE afirmou que o papel
internacional do euro cresceu "gradualmente e constantemente ao longo da
última década".
A emissão de dívida internacional denominada em
euros aumentou 30%, atingindo uma "máxima histórica" de quase 1
trilhão de euros (R$ 5,86 trilhões no câmbio atual) no ano passado, enquanto
investidores internacionais injetaram um valor líquido de 850 bilhões de euros
em ativos da zona do euro, levando os fluxos de portfólio estrangeiro
"próximos aos níveis de pico desde a criação do euro".
FOLHA DE SÃO PAULO