Os Emirados Árabes Unidos anunciaram ontem que deixarão a Opep na
sexta-feira (1º).
Antes, um contexto. A Organização dos Países Exportadores de
Petróleo foi fundada em 1960 pelo Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e
Venezuela, com o objetivo de coordenar a extração da commodity para fornecer
uma receita estável aos membros.
O grupo agora tem onze países. Qatar, Equador e Angola também não
fazem mais parte.
Por que importa? Os Emirados Árabes Unidos são o terceiro maior
produtor da commodity do grupo, atrás apenas da Arábia Saudita e Irã.
• Eram 3,6 milhões de barris
produzidos por dia antes da guerra, de acordo com a AIE (Agência Internacional
de Energia).
O anúncio surpreendeu o mercado, que vê o preço do petróleo
instável por causa da guerra no Irã. Ontem, após o comunicado, o valor do
Brent, referência mundial, disparou mais de 4% e chegou a US$ 105,81.
Corda bamba. O país expressa, há anos, suas frustrações com a Opep
a respeito das cotas de produção. Funciona assim:
• A organização estabelece as
quantidades máximas para cada país-membro.
• Quando o preço do petróleo cai
muito, a Opep reduz a quantidade para diminuir a oferta e elevar os valores.
O contrário também vale:
• Se os preços estão altos, ele
aumenta as cotas e incentiva o crescimento da produção, o que aumenta a oferta
para estabilizar os preços.
• O objetivo é evitar tanto a
superprodução quanto a escassez.
Me dê motivos. Os Emirados Árabes foram duramente atingidos por
ataques iranianos durante a guerra ainda em curso. O país tem uma relação
conflituosa com a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo e uma
força dominante dentro da Opep. Entenda aqui o conflito entre as nações.
FOLHA MERCADO