Fuga dos EUA com Trump derruba dólar, e fluxo
estrangeiro na Bolsa já é quase metade de 2025 todo.
- Instabilidade geopolítica causada pelo americano e juros altos são
favoráveis ao mercado brasileiro, dizem analistas
- Moeda americana cai quase 4% ante real neste ano, e Ibovespa renova
recorde histórico; há dúvidas sobre o longo prazo
Um movimento atípico tem marcado este início de ano
no mercado financeiro. Uma avalanche de dólares entrou no Brasil e fez a moeda
americana cair 3,7% ante o real em 2026, levando a cotação a R$ 5,287 na última
sexta-feira (23).
Na Bolsa de Valores, um dos melhores termômetros
deste fluxo, houve aporte líquido de R$ 12,35 bilhões até a última quarta-feira
(21), últimos dados disponibilizados pela B3.
O valor é quase metade (46%) do
saldo registrado em todo o ano de 2025, de R$ 26,87 bilhões. Isso impulsionou o
Ibovespa a novo recorde histórico nominal de 178.858 pontos.
Segundo analistas,
o fenômeno é global e reflete a saída de investimentos dos Estados Unidos em busca de uma maior
diversificação em meio às tensões geopolíticas do governo de Donald Trump, intensificadas pelo interesse na Groenlândia.
Neste ano,
o dólar perdeu 0,7% do seu valor ante uma
cesta das principais moedas globais, segundo o índice DXY.
"É um
movimento de saída da economia dos EUA em busca de ativos de outros países.
Nações envolvidas em disputas com Trump acabam vendendo treasuries [títulos do
Tesouro dos EUA] primeiro, com medo de os EUA congelarem.
Há um novo paradigma
político", diz Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura Private.
FOLHA DE SÃO PAULO