PERSPECTIVA SEMANAL


Estreito de Ormuz é o principal canal de transmissão econômica da guerra no Irã.

Embora o Irã responda por cerca de 4,5% da produção global de petróleo, o principal canal de transmissão econômica do conflito não é a perda direta de oferta iraniana, mas sim o risco de obstrução do Estreito de Ormuz, corredor central para o balanço energético global.

Cerca de 1/5 do petróleo consumido no mundo passa por essa rota. 

Além disso, o estreito é o único caminho de exportação para boa parte dos países do Golfo, como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e o próprio Irã, além de responder por cerca de metade das exportações da Arábia Saudita. 

O gás liquefeito (GNL) do Qatar, relevante fonte de energia para Europa, também sai por ali.

Antes da escalada recente, passavam por Ormuz cerca de 15 mbd de petróleo e 5,5 mbd de derivados. Com a piora do conflito, e ameaças iranianas, o fluxo de navios caiu de forma abrupta, e a capacidade de compensação por rotas alternativas parece limitada. 

Em um cenário de disrupção prolongada, o principal problema para os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) seria a falta de derivados, com impacto potencialmente mais rápido sobre produtos como combustível de aviação e diesel.

O estreito também é relevante para fertilizantes, já que o gás natural da região é insumo importante na produção de nitrogenados. 

Países como Brasil, Índia, Bangladesh e Austrália dependem dessa rota, embora, nesse caso, o impacto possa demorar mais a aparecer, dada a sazonalidade do comércio.

O petróleo já subiu mais de 40% desde o início da guerra, refletindo a deterioração geopolítica. No entanto, uma eventual abertura de Ormuz teria potencial de reverter parte relevante desse movimento. 

Assim, para os mercados, o ponto central de monitoramento segue sendo o grau de obstrução do Estreito de Ormuz

Destaques da semana

Brasil
No cenário doméstico, a agenda traz o índice de inflação e os resultados das pesquisas mensais de comércio e serviços.

•    Segunda-feira: IPC-S (1ª semana de março); Relatório Focus; Balança Comercial (1ª semana de março).
•    Terça-feira: FIPE CPI (1ª semana de março).
•    Quarta-feira: Vendas no Varejo (janeiro).
•    Quinta-feira: IPCA (fevereiro).
•    Sexta-feira: PMS - Pesquisa Mensal de Serviços (janeiro).

Estados Unidos: 
A agenda norte-americana concentra-se em dados de inflação, números do setor imobiliário e a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), além de indicadores do mercado de trabalho e de sentimento do consumidor.

•    Segunda-feira (9): FED NY - Expectativas de 1 ano (fevereiro).
•    Terça-feira (10): NFIB - Confiança do Pequeno Empresário (fevereiro); Vendas de Casas Pendentes (fevereiro).
•    Quarta-feira (11): CPI (fevereiro); Resultado Fiscal (janeiro).
•    Quinta-feira (12): Balança Comercial (janeiro); Pedidos de Seguro Desemprego (1ª semana de março); Novas Construções Residenciais (janeiro); Concessões de Alvarás (prévia de janeiro).
•    Sexta-feira (13): Renda Pessoal (janeiro); Deflator PCE (janeiro); Encomendas de Bens Duráveis (prévia de janeiro); PIB (4º trimestre); JOLTS (janeiro); Consumo Pessoal (janeiro); Confiança do Consumidor da Univ. de Michigan (prévia de março).


Europa
O calendário europeu destaca estatísticas de produção e encomendas da indústria, índices de confiança e inflação, acompanhados de discursos de autoridades do Banco Central Europeu (BCE).

•     Segunda-feira: Produção Industrial da Alemanha (janeiro); Encomendas à Indústria da Alemanha (janeiro); Sentix - Confiança do Investidor da Zona do Euro (março).
•    Terça-feira: Discursos de Gediminas Šimkus e Madis Müller (BCE).
•    Quarta-feira: CPI da Alemanha (final de fevereiro); discursos de Luis de Guindos e Isabel Schnabel (BCE).
•    Quinta-feira: Discurso de François Villeroy de Galhau (BCE).
•    Sexta-feira: Produção Industrial do Reino Unido (janeiro); Produção Industrial da Zona do Euro (janeiro).

Ásia

A semana na Ásia apresenta a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão, juntamente com indicadores antecedentes, inflação ao produtor e pedidos de máquinas japonesas.

•    Segunda-feira: Indicador Antecedente do Japão (prévia de janeiro).
•    Terça-feira: PIB do Japão (final do 4º trimestre); Pedidos de Máquinas do Japão (prévia de fevereiro).
•    Quarta-feira: PPI do Japão (fevereiro).
 



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