EUA anunciam tarifa de 12,5% contra Brasil por
importar produtos de países que usam trabalho forçado.
- Cobrança se soma com os 25% em vigor, resultando em uma taxa de
37,5% para alguns produtos
- País integra grupo de 60 parceiros comerciais atingidos pela medida
americana
Os Estados Unidos decidiram
aplicar uma tarifa de 12,5% ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio,
em uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com
o uso de trabalho
forçado.
A
sobretaxa foi anunciada nesta quinta-feira (23) e se soma aos 25% já impostos
na semana passada em outra investigação envolvendo produtos
brasileiros.
A decisão culmina em uma taxa acumulada
de 37,5% para diversos setores e produtos.
A
nova tarifa, que será aplicada a mais de 3.000 itens comprados do Brasil,
começa a ser aplicada a partir da 01h01 desta sexta-feira (horário de
Brasília).
Outros 60 parceiros comerciais dos EUA também foram afetados, com
taxas que variam de 10% a 12,5% —juntos, respondem por 99,4% das importações do
país.
Em
nota, o governo brasileiro rechaçou a nova tarifa. "Na ausência de base legal
interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por
manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e
trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de
práticas desleais", diz o comunicado.
A lista dos
produtos brasileiros isentos dessa nova tarifa tem mais de 2.100 itens e é, na maior
parte, idêntica ao que foi excluído da sobretaxa de 25% que
começou a vigorar nesta semana.
Mais de 2.000 produtos aparecem nas duas,
incluindo petróleo, carnes, suco de laranja e café instantâneo.
Produtos derivados
da madeira e pescados foram excluídos do primeiro tarifaço, mas não da
sobretaxa relacionada a trabalho forçado. Esses produtos serão, portanto,
taxados em 12,5%.
FOLHA DE SÃO PAULO