O que
são terras raras (que não são terras nem raras)?
O avanço da tecnologia e a corrida pela energia limpa
colocaram o Brasil no centro de uma disputa geopolítica global, já que o país tem a segunda maior reserva das chamadas terras raras
Após ter sido pauta do Congresso Nacional e tema estratégico de conversa
entre os presidentes Lula e Donald Trump (EUA), o brasileiro disse, nesta
segunda-feira (18), que espera que Trump deixe de “brigar” com o líder chinês
Xi Jinping e passe a se associar ao Brasil em projetos ligados ao setor.
O interesse mundial nas terras raras tem uma explicação: a eficiência.
Esses elementos (com nomes complicados, como neodímio, praseodímio
e disprósio) funcionam como as "vitaminas" da
indústria tecnológica, essenciais para fabricar desde motores
potentes de carros elétricos até o sistema que faz o seu celular vibrar.
Embora o Brasil destaque-se na concentração desses
recursos, ainda não detém a tecnologia necessária para processá-los. O desafio
brasileiro é deixar de ser apenas um fornecedor de matéria-prima e tornar-se
uma potência tecnológica.
"As terras raras são uma família com uma característica
curiosa: todos
parecem irmãos gêmeos. Vivem juntos nas rochas e se comportam de forma
tão parecida que a própria natureza tem dificuldade de separá-los — e a
indústria também", explica o geólogo Alexandre Magno Rocha, professor do
Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
Fazem parte deste grupo:
- Os 15 lantanídeos: elementos que vão do lantânio ao lutécio. Eles são
"quimicamente pegajosos": onde está um, geralmente estão todos
os outros, o que torna a separação deles um dos maiores desafios da
engenharia moderna.
O nome “lantanídeo” vem do primeiro elemento da fila, o Lantânio (do
grego lanthanein, que significa 'escondido'). É um nome muito
apropriado, porque são elementos que ficam “escondidos” uns dentro dos outros
nas rochas.
- Escândio e ítrio: costumam aparecer associados aos lantanídeos e, por isso, também
recebem o rótulo de “terras raras”.
"Podemos dizer que as terras raras são 'vitaminas da
indústria tecnológica': usadas em pequenas quantidades, mas sem elas o
desempenho de muitos sistemas cai drasticamente", afirma Ysrael Marrero
Vera, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI).
G1