PERSPECTIVA SEMANAL


Fiscal de Volta aos Holofotes (no Brasil e nos EUA)

O tema fiscal voltou ao centro das atenções, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, reacendendo preocupações com a trajetória das contas públicas e seus reflexos sobre juros e mercados.

Por aqui, o governo anunciou o contingenciamento de R$ 31 bilhões sobre a execução de despesas discricionárias, no topo do intervalo esperado. 

A equipe econômica também adotou uma postura mais realista ao revisar as projeções fiscais: retirou receitas incertas que constavam do Orçamento e atualizou para cima a estimativa de gastos previdenciários. 

Esse movimento tinha o potencial de reforçar o compromisso com o cumprimento das regras do arcabouço, ao menos no curto prazo.

A sinalização, no entanto, foi ofuscada pela publicação, em 22 de maio, de um decreto elevando substancialmente o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre diversas operações.

A medida, com vigência imediata (exceto para mudanças no risco sacado, válidas a partir de 1º de junho), representa um aumento de cerca de 60% na arrecadação com o imposto. 

O destaque foi a aplicação do IOF sobre saídas de capital de investidores brasileiros para o exterior via fundos de investimento — uma alteração interpretada como a introdução de uma barreira relevante à movimentação de recursos (e embrião de controle de capital). 

O episódio gerou forte reação negativa, com turbulência em diversos setores, e foi lido como um movimento contrário à previsibilidade regulatória. 

Após a repercussão negativa, houve reversão parcial da medida, o que amenizou o impacto, mas não eliminou o desconforto gerado pelo episódio —  outros pilares do decreto seguem impactando empresas e famílias. 

Nos EUA, com o arrefecimento do debate tarifário, a atenção dos mercados se voltou para o orçamento federal — o primeiro sob a nova administração do presidente Donald Trump. 

A proposta, chamada de “Big Beautiful Bill”, traz uma nova rodada de expansão fiscal. Além da já esperada postergação dos cortes de impostos corporativos (TCJA), o governo propôs aumento nos gastos militares e maior abatimento no imposto de renda para pagamentos estaduais, entre outras medidas.

O resultado é uma expectativa de manutenção de déficits elevados, o que pressiona os juros longos nos EUA e, por consequência, os juros globais. 

Trata-se de um ambiente que reduz a margem de manobra para políticas monetárias mais acomodatícias ao redor do mundo, especialmente em economias emergentes com fundamentos fiscais mais frágeis ou exposição maior à volatilidade de fluxos financeiros.





SULAMERICA INVESTIMENTOS
Tel: 11 5044-4774/11 5531-2118 | suporte@suporteconsult.com.br