MERCADO DE TRABALHO


Três em cada dez jovens da geração Z já pediram afastamento por saúde mental, diz pesquisa

  • Cargas horárias prolongadas e pressões no ambiente de trabalho seriam as principais causas, segundo Serasa Experian
  • A partir da próxima terça (26), empresas podem ser multadas se não implantarem mudanças no trabalho

Três em cada dez jovens da geração Z (entre 18 e 28 anos) já pediram afastamento do trabalho por questões de saúde mental, segundo pesquisa da Serasa Experian. 

O levantamento mostra ainda que 6 em cada 10 afirmam que as empresas falam de saúde mental, mas adotam práticas consideradas incompatíveis com esse discurso.

Os afastamentos estariam ligados a fatores como pressão no trabalho, jornadas prolongadas e insegurança em relação ao futuro profissional. 

A pesquisa também mostra que a geração Z valoriza modelos mais flexíveis de trabalho e iniciativas voltadas ao bem-estar no ambiente corporativo. 

Segundo a pesquisa, apenas 28% dizem se sentir confortáveis para tratar do tema no ambiente de trabalho.

O estudo ouviu 233 brasileiros entre 18 e 28 anos, em todas as regiões do país, entre novembro e dezembro de 2025. A margem de erro da pesquisa é de 3%, e o intervalo de confiança, de 97%.

Para Rodrigo Dib, Superintendente Institucional do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), empresas ainda têm dificuldade de adaptar modelos de gestão às expectativas da geração Z, que valoriza flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

"A geração Z está 24 horas por dia sendo estimulada a um outro tipo de vida. Assiste televisão, escolhe o momento que vê as coisas, pede comida. Não divide mais o que é trabalho e vida pessoal. O mercado tem que entender isso. E tratar essa geração do jeito que ela é, porque quem mais está sofrendo por isso é o próprio mercado", diz.

O aumento no número de ações trabalhistas associadas a saúde mental, bem como o número de afastamentos previdenciários pelas mesmas razões exigiram a atualização da Norma Regulamentadora número 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho e Emprego, explica a advogada Isabella Magano, sócia do Pipek Advogados.



FOLHA DE SÃO PAULO
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