TECNOLOGIA


As previsões sobre inteligência artificial de 70 anos atrás que são realidade hoje.

Desde os anos 1950, a trajetória da IA tem sido marcada pelos mesmos dilemas: medo de que máquinas substituam humanos, a tendência de humanizar a tecnologia e o apego emocional por ela e promessas ambiciosas que raramente se cumprem.

Desde os anos 1950, a trajetória da inteligência artificial tem sido marcada pelos mesmos dilemas: medo de que máquinas substituam humanos, a tendência de humanizar a tecnologia, o apego emocional que muitas pessoas desenvolvem por ela e as promessas ambiciosas que raramente se cumprem — mas que continuam a atrair investimentos e atenção.

O cenário do século passado e de agora são diferentes, no entanto, em um aspecto principal: o tanto de dinheiro e recursos que se está investindo nessas tecnologias nos dias atuais.

"Existe uma diferença de que hoje estamos em um contexto do capital financeiro e dos investimentos que essas empresas atraem, o espaço que elas conseguem junto a governos", disse à BBC News Brasil Bernardo Gonçalves, pesquisador de inteligência artificial, filósofo e tecnologista do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

O apego emocional às máquinas

O professor do MIT e cientista Joseph Weizenbaum criou um programa, ainda na década de 60, que é hoje considerado o primeiro chatbot a se tornar conhecido no mundo.

Batizado de Eliza, o programa rodava em um computador IBM 7094, uma máquina de grande porte, que à época custava milhões de dólares, e era capaz de simular conversas.

O programa seguia um conjunto de regras pré-definidas para analisar o que era digitado e responder de forma automática.

No fundo, a máquina não entendia o que estava sendo dito, mas imitava uma conversa.

Em um dos testes, Weizenbaum programou Eliza para agir como uma terapeuta. O chatbot reformulava o que o "paciente" dizia, transformando frases em perguntas, o que criava a ilusão de diálogo.

  • PACIENTE: Meu namorado me fez vir aqui.
  • ELIZA: Seu namorado te fez vir aqui.
  • PACIENTE: Ele diz que estou deprimida a maior parte do tempo.
  • ELIZA: Lamento que você esteja deprimida.

Naquela época, como relatou Weizenbaum em um capítulo de livro, alguns pesquisadores começaram a prever que, no futuro, máquinas poderiam oferecer terapia de verdade, até mesmo em hospitais.

O próprio criador da tecnologia se espantou com essa possibilidade. "Sem dúvida há técnicas para facilitar a projeção do terapeuta na vida do paciente. Mas que fosse possível a um psiquiatra defender que esse componente crucial do processo terapêutico pudesse ser substituído, isso eu não tinha imaginado", escreveu.




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