Longevidade acelerada do brasileiro desafia INSS e
impõe mudanças ao mercado de trabalho.
- Em cerca de três anos, país terá mais pessoas acima de 60 anos do
que crianças e adolescentes com até 14 anos
- Gasto público com aposentadorias da Previdência Social pressiona
PIB e é principal problema
Em
cerca de três anos, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve passar o
de crianças e adolescentes com até 14 anos no Brasil,
segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) analisadas pela Folha.
Com a população cada vez mais longeva, o país tende
a enfrentar mudanças em diferentes áreas, incluindo a economia.
Suportar
uma demanda maior por aposentadorias, aumentar a produtividade do trabalho e aproveitar o potencial dos
mais velhos faz parte dos principais desafios, dizem analistas, que veem no
mercado de trabalho o espaço onde a revolução deve acontecer.
As previsões do IBGE mostram que o número de
pessoas de 60 anos ou mais deve alcançar 40,1 milhões em 2029, superando em
2,2% o contingente de 0 a 14 anos, previsto em 39,2 milhões.
"É um marco.
Pela primeira vez teremos mais idosos do que crianças e adolescentes",
afirma o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE.
"A data não sabemos bem, pode até ser em 2028
ou 2030. Depende do comportamento da fecundidade e da mortalidade",
acrescenta.
A população de 60 anos ou mais tende a sair de 15,2
milhões, em 2000, para 75,3 milhões em 2070, alta de quase 400%.
Já o grupo de
crianças e adolescentes de 0 a 14 anos deve cair a menos da metade, passando de
52,3 milhões em 2000 para 23,8 milhões em 2070, redução de 54%.
A
principal preocupação é como a atual geração de jovens —marcada por empregos
informais, trabalho por aplicativos e baixa proteção social— chegará à velhice.
Hoje, ao menos 50% dos ocupados estão na informalidade. Sem acesso estável ao mercado formal e à
Previdência, cresce o risco de
envelhecimento com menos segurança econômica e maior vulnerabilidade social.
FOLHA DE SÃO PAULO