INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


Antes de mudar o mundo, a IA está mudando o Vale do Silício

  • Nos últimos anos, o condado de San Francisco perdeu cerca de 30 mil empregos em tecnologia
  • Inteligência artificial generativa deu a empresas de tecnologia a oportunidade de enxugar quadros

Durante anos, os grandes pensadores do Vale do Silício disseram que muitas indústrias seriam permanentemente alteradas pela inteligência artificial. Radiologistas ficariam sem emprego. 

Advogados deixariam de redigir petições e contratos. E Wall Street não precisaria de tantos banqueiros.

Não está claro se essas previsões de destruição de empregos vão se concretizar. O desemprego entre jovens que estão entrando no mercado de trabalho aumentou, mas o quadro geral de emprego não mudou muito. Radiologistas ainda estão trabalhando. 

Advogados ainda escrevem contratos — ou pelo menos é o que dizem. Os bônus em Wall Street estão atingindo níveis recordes.

Está ficando claro que os trabalhadores de tecnologia têm construído seus próprios substitutos em IA. Os modelos de negócios lucrativos das empresas de software também estão ameaçados pela IA. 

Até a forma como as empresas são criadas está sendo virada do avesso, à medida que pequenas equipes usam IA para desenvolver aplicativos e softwares que, há poucos anos, exigiriam dezenas de programadores qualificados.

"O Vale do Silício é, neste momento, uma espécie de laboratório fascinante de todas essas mudanças e transformações", disse Aaron Levie, CEO da Box, uma empresa que desenvolve software para armazenamento e gerenciamento de dados.

A IA generativa criada por empresas como OpenAI, Anthropic e Google pode fazer muitas coisas. A tarefa em que ela se tornou particularmente boa é a programação de computadores. 

Isso deu a muitas empresas de tecnologia a oportunidade de começar a "enxugar a casa", mesmo que os executivos evitem dizer isso explicitamente.

"Se você acha que a IA é essa pílula incrível de produtividade, então simplesmente use a pílula, não demita ninguém e dobre sua receita", disse Ted Egan, economista-chefe da cidade e do condado de San Francisco. 

"Mas definitivamente não é isso que eles estão fazendo."

Até agora neste ano, mais de 70 empresas de tecnologia eliminaram pelo menos 40 mil empregos, segundo o Layoffs.fyi, que acompanha cortes de pessoal no setor. 

A Block, empresa de serviços financeiros dona do Square, Cash App e Tidal, demitiu 40% de sua força de trabalho em fevereiro —cerca de 4.000 funcionários.



FOLHA DE SÃO PAULO
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