PIB do 1º trimestre confirma
aceleração impulsionada por estímulos fiscais.
Na semana passada, foi divulgado
o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre de 2026, com
crescimento da atividade econômica de 1,1% na comparação trimestral, e avanço
de 1,8% em relação ao mesmo período de 2025 -- resultado em linha com a
projeção da SulAmérica Investimentos, e que reforçou nossa visão mais otimista
para a atividade econômica defendida há alguns meses.
O desempenho observado no início
de 2026 marcou uma aceleração da atividade econômica em relação à dinâmica
registrada nos trimestres anteriores.
Em nossa avaliação, a expansão foi
favorecida principalmente pelo impulso fiscal observado no período, com destaque
para a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, além de outras
iniciativas de suporte à renda e ao crédito que fortalecem a demanda doméstica.
Para além da atividade
econômica, o resultado traz desafios para o processo de convergência da
inflação à meta. O crescimento observado no trimestre reforça a percepção de
uma economia mais resiliente, em um contexto no qual a demanda doméstica
permanece sustentada.
Nesse sentido, vale destacar que o Banco Central trabalha
atualmente com uma projeção de crescimento de 1,6% para o PIB em 2026, inferior
tanto às expectativas de mercado quanto à nossa estimativa.
Diante desse
cenário, entendemos que a autoridade monetária deverá revisar novamente sua
avaliação sobre o hiato do produto no próximo Relatório de Política Monetária.
A estimativa atual passa a apresentar um claro viés de alta, convergindo para
um cenário que ainda não havia sido incorporado pela autoridade monetária em
seu balanço de riscos.
Vale lembrar que esse cenário
também fundamenta nossa avaliação mais cautelosa para o ciclo de flexibilização
monetária e que sustenta nossa projeção de taxa Selic em 14,00% ao final deste
ano.
Mais recentemente, a escalada das tensões geopolíticas envolvendo o Irã
adicionou um novo fator de risco ao cenário, sobretudo por seus potenciais
impactos sobre os preços das commodities e as perspectivas para a inflação
global.
Para 2026, mantemos nossa
projeção de crescimento do PIB em 2,0%. O cenário segue sendo sustentado pelo
elevado carregamento estatístico deixado pelo primeiro trimestre e pela
perspectiva de continuidade das medidas de suporte à atividade.
Para os próximos
trimestres, projetamos avanços de 0,5%, 0,2% e 0,5%, respectivamente, indicando
uma desaceleração gradual do ritmo de expansão ao longo do ano.
A expectativa de moderação das
taxas de crescimento reflete a natureza temporária de parte dos estímulos
recentes e os efeitos defasados da política monetária contracionista, que devem
restringir os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico.
Ainda assim, a
atuação dos governos federal, estaduais e municipais por meio de programas de
renda, crédito e investimentos deve continuar contribuindo para a sustentação
da atividade ao longo dos próximos meses.
Destaques da semana
Brasil
No panorama doméstico, com a
semana mais curta devido a um feriado, as atenções se concentram na balança
comercial, nos dados de produção industrial e nos índices de atividade (PMI)
dos setores industrial e de serviços.
•
Segunda-feira: Relatório Focus; IPC-S CPI (4ª semana de maio); S&P Global
PMI Industrial (maio).
• Terça-feira:
FIPE CPI (maio).
•
Quarta-feira: Balança Comercial (maio); Produção Industrial (abril); S&P
Global PMI Serviços (maio).
Estados Unidos
A agenda norte-americana foca-se
em dados fundamentais do mercado de trabalho (incluindo os relatórios Payroll,
JOLTS e ADP), nos índices de atividade industrial e de serviços (PMI e ISM), na
divulgação do Livro Bege e em uma série de intervenções de membros da Federal
Reserve Board (Fed).
•
Segunda-feira (1): S&P Global PMI Industrial (final de maio); ISM
Manufatura (maio); Gastos com Construções (abril).
• Terça-feira
(2): Discursos de Neel Kashkari e Beth Hammack (Fed); JOLTS (abril).
• Quarta-feira
(3): ADP (maio); S&P Global PMI Serviços (final de maio); Encomendas de
Máquinas (abril); ISM Serviços (maio); Encomendas de Bens Duradouros (final de
abril); Livro Bege; discurso de Lorie K. Logan (Fed).
• Quinta-feira
(4): Pedidos de Seguro de Desemprego Semanal; discurso de Mary Daly (Fed).
• Sexta-feira
(5): Payroll (maio); Taxa de Desemprego (maio).
Europa
No continente europeu, o
calendário destaca as leituras de inflação (CPI e PPI) e desemprego na Zona
Euro, além dos índices de atividade (PMI), vendas no varejo e um conjunto de
discursos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE).
•
Segunda-feira: Discurso de Isabel Schnabel (BCE); Taxa de Desemprego da Zona
Euro (abril); S&P Global PMI Industrial da Zona Euro (final de maio);
Vendas a Retalho da Alemanha (abril); Expectativas de 1 e 3 anos do BCE
(abril).
• Terça-feira:
CPI da Zona Euro (prévia de maio).
•
Quarta-feira: S&P Global PMI Serviços da Zona Euro (final de maio); PPI da
Zona Euro (abril); discursos de Frank Elderson e Piero Cipollone (BCE).
•
Quinta-feira: Discurso de Christine Lagarde (BCE); Vendas a Retalho da Zona
Euro (abril).
• Sexta-feira:
PIB da Zona Euro (1º trimestre T); Taxa de Desemprego da Zona Euro (1º
trimestre F).
Ásia
A semana na Ásia se concentra
nos indicadores de atividade do setor de serviços no Japão e na China, bem como
no indicador antecedente japonês.
•
Quarta-feira: S&P Global PMI Serviços do Japão (final de maio); RatingDog
PMI da China (maio).
• Sexta-feira:
Indicador Antecedente do Japão (prévia de abril).
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