MERCADO DE TRABALHO


Empresas enxugam estrutura, e Brasil elimina mais de 300 mil vagas de gerente e diretor em 6 anos

  • Cortes vão na contramão da geração de postos de trabalho com carteira assinada
  • Processo de horizontalização e redução de custos em meio a juros altos explicam movimento

Na contramão do mercado de trabalho aquecido dos últimos anos, e em meio a um processo de modernização e enxugamento de custos pelas empresas, o Brasil eliminou 322 mil vagas de gerência e diretoria de 2020 para cá.

Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que em 2025 o saldo das contratações para esses cargos de liderança ficou negativo em 112,3 mil postos.

O movimento mostra um descolamento do mercado de trabalho como um todo: nos últimos seis anos, foram geradas 9 milhões de vagas com carteira assinada no Brasil, 1,2 milhão delas em 2025.

 Os cortes de vagas de gerência e diretoria vêm se intensificando desde 2023, quando foram eliminadas 89,6 mil dessas ocupações; em 2024, foram cortadas 98,3 mil.

O encolhimento no número de líderes pode ser explicado por algumas razões, e uma das principais é o caminho sem volta da horizontalização dentro das empresas, que reduz a quantidade de níveis hierárquicos nas grandes corporações.

Esse processo já vinha acontecendo na década passada, mas ganhou fôlego em meio ao forte impulso recente da digitalização, que facilita a fiscalização e gestão, permitindo que menos gerentes supervisionem mais pessoas.

Outro ponto é que muitas multinacionais sofreram com uma sucessão de crises que se acumularam nos últimos anos. Além da pandemia, houve a invasão da Ucrânia pela Rússia, os conflitos no Oriente Médio e, mais recentemente, a imposição de tarifas a produtos importados pelo presidente americano, Donald Trump.

Quando empresas americanas ou europeias decidem eliminar determinados cargos, essas medidas costumam ser replicadas por suas filiais no Brasil.



FOLHA DE SÃO PAULO
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