Riqueza financeira global cresce
8,7% e Brasil acelera acima da média mundial, aponta relatório da Allianz
Levantamento
mostra novo recorde de ativos das famílias, forte contribuição dos Estados
Unidos e persistência da desigualdade; no Brasil, avanço real supera o período
pré-pandemia
Os ativos financeiros das famílias no mundo
atingiram um novo recorde em 2024, com crescimento de 8,7%, impulsionados
sobretudo pelo desempenho da economia americana.
É o que revela a 16ª edição do
Relatório de Riqueza Global da Allianz, que analisa a
evolução de ativos e passivos das famílias em quase 60 países, divulgado no
último dia 13. Apesar do avanço expressivo, o estudo aponta que não houve
progresso relevante na redução da desigualdade de riqueza ao longo das últimas
duas décadas.
No Brasil, os ativos financeiros cresceram 10,1%, no ritmo mais
acelerado dos últimos três anos, com ganho real significativo mesmo após o
ajuste pela inflação.
De acordo com a Allianz, o total de ativos
financeiros globais alcançou 269 trilhões de euros ao final de 2024, o
equivalente a 283% da atividade econômica mundial.
Embora represente um novo
patamar histórico, essa relação permanece próxima à observada em 2017,
indicando que o avanço recente recompôs perdas e volatilidades registradas ao
longo dos últimos anos.
O relatório destaca o papel central dos Estados
Unidos na expansão da riqueza financeira global.
Em 2024, cerca de metade de
todo o crescimento dos ativos financeiros no mundo teve origem no país.
Na
última década, a participação americana foi de 47%, enquanto a China respondeu
por 20% e a Europa Ocidental por 12%. Para Ludovic Subran, economista-chefe do
Grupo Allianz, o desempenho americano se descolou de outras grandes economias.
Segundo ele, o crescimento dos ativos financeiros nos Estados Unidos em 2024
foi significativamente superior ao observado na Europa Ocidental e no Japão,
que ficaram abaixo da média global em mais de dois e quase quatro pontos
percentuais por ano, respectivamente.
Apesar da expansão agregada da riqueza, a
distribuição segue praticamente inalterada.
Em média, os 10% mais ricos detêm
60,4% da riqueza total nos países analisados, enquanto a riqueza média continua
sendo pouco mais de três vezes superior à mediana.
Esses indicadores são muito
semelhantes aos observados há 20 anos, o que evidencia a ausência de avanços em
direção a uma maior igualdade patrimonial em nível nacional, mesmo com a
desigualdade ocupando posição central no debate político em diversos países.
No caso brasileiro, o retrato é ainda mais
desigual.
A participação dos 10% mais ricos permaneceu próxima de 70% ao longo
das últimas duas décadas, enquanto a relação entre riqueza média e mediana se
manteve em torno de quatro vezes.
Com isso, o Brasil segue figurando entre os
países mais desiguais do mundo em termos de distribuição de riqueza, em linha
com outros mercados da América Latina.
Ainda assim, 2024 foi um ano de desempenho robusto
para os ativos financeiros das famílias brasileiras.
O crescimento de 10,1%
superou os 7% registrados em 2022 e 2023 e foi impulsionado por todas as
classes de ativos. Os títulos avançaram 10,9%, seguros e previdência cresceram
8,8% e os depósitos bancários aumentaram 8,2%.
Do lado do endividamento, o passivo das famílias
brasileiras cresceu 12,5% em 2024, acima da média histórica de 8%.
Com isso, o
índice de endividamento subiu para 36%, ainda três pontos percentuais abaixo do
pico registrado em 2015. Já os ativos financeiros líquidos avançaram 9,1%,
alcançando 8.070 euros per capita.
No ranking global de ativos financeiros líquidos
per capita, os Estados Unidos lideram, com 311 mil euros por habitante,
seguidos por Suíça e Singapura.
Entre as grandes economias europeias, Alemanha,
França, Itália e Reino Unido aparecem em posições intermediárias, enquanto
países do sul da Europa permanecem mais abaixo na lista, refletindo diferenças
estruturais de renda, poupança e composição patrimonial.
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