Uma empresa do setor de energia tem um plano ambicioso para os próximos
anos.
A N5X —joint venture entre um fundo apoiado pela B3 e a Nodal Exchange,
bolsa de derivativos da alemã European Energy Exchange (EEX)— entrou com
pedidos para se tornar a primeira Bolsa de energia do Brasil.
O que significa isso? A companhia quer intermediar e regular negociações
entre compradores e vendedores do setor, operando como contraparte central.
➡️ Além disso, também pretende
oferecer contratos futuros de energia —ou seja, acordos para comercializar
energia a um preço fixado hoje, mas com entrega para daqui a um tempo.
• A N5X opera no país uma plataforma para
negociações de contratos com entrega física de energia.
A criação de uma Bolsa promete reconfigurar a comercialização no setor,
que hoje acontece por meio de transações difusas e não organizadas, muitas
vezes por telefone ou WhatsApp.
Como não existe uma contraparte central (esse agente que assume os
riscos caso uma das partes não cumpra com suas obrigações), as operações entre
as companhias são arriscadas.
O resultado? Empresas estão deixando de atuar com trading de energia no
país.
A CPFL e a CTG Brasil, geradoras controladas por grupos chineses, estão
entre as que abandonaram a negociação direcional para atuar em outras áreas.
Grandes companhias como Axia (ex-Eletrobras), Casa dos Ventos e Eneva
apoiaram publicamente a ideia. As empresas dependem da venda de energia para
garantir previsibilidade de receitas.
Mas… A proposta também reúne críticas. Para aqueles que são contrários,
a Bolsa limitaria o número de participantes no mercado, já que exige um
depósito de garantias para realizar negociações.
Segundo a NX5, o Brasil (com base em dados de 2024):
• É o 6º maior mercado consumidor de
energia elétrica;
• É o 7º maior produtor;
• Negociou R$ 190 bilhões no mercado
livre.
Enquanto isso... Os preços do principal leilão de geração de energia
elétrica deste ano foram recebidos de forma negativa por investidores. Os
valores anunciados pelo governo ficaram de 20% a quase 50% abaixo do previsto
por empresas e analistas
FOLHA MERCADO