Como sobrevive a economia de um
país em guerra?
A repórter Patrícia Campos Mello
está em Teerã e relata como os efeitos do conflito estão presentes no dia a dia
da população.
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Com o bloqueio no estreito de Hormuz mercadorias não chegam ao Irã ou precisam
ser transportadas por rotas terrestres, o que encarece o frete e o preço final
dos produtos.
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A inflação geral atingiu níveis inéditos e, nos últimos 12 meses, chegou a
73,5%. Os valores de alimentos e bebidas subiram 115%.
📈 Ajuda do governo.
Em março, após o início do conflito, o ministro do Trabalho anunciou um aumento
de 60% do salário mínimo do país: de 103 milhões de riais por mês (pouco mais
de R$ 390) para 166 milhões de riais, a moeda local (R$ 630).
O Ministério do Bem-Estar Social
anunciou vouchers eletrônicos para cerca de 87 milhões de pessoas fazerem
compras em lojas designadas.
💳 Passa no débito?
No país, transações em dinheiro são raridade e cartões de crédito quase não
existem. Sanções econômicas e políticas isolam o sistema financeiro há mais de
três décadas, muito antes da guerra com os EUA e Israel começar.
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Qualquer banco ou empresa que fizer transações com instituições iranianas está
sujeito a multas e penalidades dos EUA e de outros países.
Uma pitada de história: em 2015,
o país persa entrou em um acordo com potências mundiais para limitar seu
programa nuclear. Em troca, sanções impostas pelos EUA, União Europeia e ONU
seriam suspensas e US$ 100 bilhões (cerca de R$ 500 bi) congelados são liberados.
❌ Em 2018, porém, Trump deixou o tratado e os
embargos foram retomados.
Com isso… Por causa da falta de
acesso do Irã ao dólar e a outras moedas estrangeiras, o rial sofreu uma
vertiginosa desvalorização ao longo dos anos.
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Na prática, o dólar vale 1,9 milhão de riais.
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Dois anos atrás, um dólar valia cerca de 520 mil riais.
Por lá, a forma de pagamento
mais comum é o cartão de débito. Cidadãos também usam aplicativos ou caixas
eletrônicos para fazer transferências.
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país em guerra.
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